Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Grécia • Ilhas Gregas

Santorini
Foto: Santorini

01/06 – tarde
Santorini, última escala. Esta ilha é, também, conhecida como Thira.
Nessa tarde, optamos por uma excursão. Queríamos aproveitar ao máximo a tão curta permanência. Diferentemente das outras guias, não gostamos desta. Era muito apressada, nada atenciosa e não deu informações mais detalhadas ou curiosas, como as outras. Apenas o essencial. Ainda bem que tínhamos uma folha obtida no navio, que desempenhou o papel de guia com mais eficiência.

Notas da folha do Perla
Santorini é, sem dúvida, a ilha mais extraordinária do Mar Egeu. Desde 3 000 a.C. a ilha se desenvolveu como um posto avançado da civilização minóica, até que em 1450 a.C. ocorreu a catástrofe: a ilha vulcânica entrou em erupção, seu centro afundou e terremotos reverberaram através do mar Egeu. Thira foi destruída e, com ela, acredita-se, as grandes civilizações minóicas em Creta, sua vizinha. Curiosamente, a ilha tomou a forma de uma lua crescente.
Papiros egípcios descrevendo Atlantis, a Ilha Feliz, submersa pelo mar, foram citados por muitos escritores da Antiguidade, entre eles Sólon e Platão. Evidência da colônia minóica foi encontrada em Akrotiri, uma vila enterrada sob toneladas de cinza vulcânica num dos extremos da ilha. Túneis cavados no meio das cinzas revelaram estruturas, com altura de 2 ou 3 andares, primeiramente danificadas pelo terremoto e, então, soterradas pela erupção.
Afrescos luxuosos decorados com pinturas encantadoras de seres humanos, plantas, pássaros e macacos adornavam as paredes. Encontrou-se cerâmica cretense armazenada em uma câmara. Alguns desses tesouros estão atualmente em exposição no Museu de Arqueologia de Atenas. Não foram encontrados esqueletos humanos, o que leva a crer que os habitantes da ilha tivessem sido alertados por alguma atividade vulcânica anterior à calamidade final e embarcado a tempo, provavelmente para serem tragados pelas ondas do maremoto.

A ilha de Santorini moderna é agora a borda do vulcão – a cratera está coberta pelo mar Egeu. Diques de pedra pomes e cinzas vulcânicas marcam o seu centro.
As casas de Fira, a capital, são construídas num estilo ímpar, característico da ilha – pequenas, imaculadamente brancas, com numerosas janelas e tetos abaulados.      
Da parte debaixo, ao nível do mar, a visão é semelhante à anterior ao grande terremoto de 1956: uma linha alva acima dos penhascos.
A maior atração de Fira é estar situada em cima dos penhascos.
Há várias maneiras de se chegar ao topo: subindo os 588 degraus da rampa em ziguezague, de mula, teleférico ou ônibus. Acho que essa última opção é recente e foi a que nos coube na chegada. Achei horrível! Havia uma fila enorme de ônibus, esperando a vez para subir pela ladeira estreita. Ainda bem que na volta descemos pelo teleférico, bem mais relaxante.

Deixamos o ônibus a certa distância da praça central de Fira e voamos até lá atrás da guia. Viramos à direita e seguimos pela rua ao longo da borda da cratera. Mal deu pra apreciar a bela igreja do século XVIII, logo adiante que, com seu característico domo azul e gracioso campanário branco de seis sinos, tornou-se o símbolo de Santorini. Nem sei como conseguimos tirar uma foto. Há cafés ao ar livre, debruçados sobre o penhasco, de onde se descortina uma vista incomparável, mas não paramos nem mesmo para beber um copo de água. Logo voltamos ao ônibus, para, supostamente, conhecer o resto da ilha. De passagem, vimos algumas praias, algumas vilas e algumas vinícolas. A ilha é bem grande e no outro extremo se encontra a encantadora vila de Oía, com uma fantástica vista da caldeira do vulcão e do Mar Egeu. Descemos novamente do ônibus e desta vez sem a guia, ainda bem, mas com tempo marcado, percorremos as ruelas em degrau, admirando as charmosas construções, onde estão instaladas lojas de comércio inesperadamente sofisticadas.

Apesar da pressa, deu para fazer algumas comprinhas e tirar mais fotos, que são um testemunho da beleza inqualificável dessa ilha. Fiz questão de trazer uma casinha branca para a minha coleção e toda vez que olho para ela me vem à memória o cenário de Santorini.

Olhos e mente inundados de tanta beleza. Muitas expectativas preenchidas, uma certa frustração em relação ao tempo, racionado para algumas atrações. Se tivesse de voltar, faria diferente: uma permanência mínima de dois dias nas ilhas escolhidas, inclusive para curtir a noite. Voltar para o navio no fim do dia é um conforto, um descanso, há sempre uma programação interessante. No entanto, perde-se a vida noturna nas ilhas. Senti não ter ido a uma taberna, ouvir a música típica e ver as danças gregas que conhecia de filmes. Lembram de Zorba, o Grego? Imaginei participar de qualquer coisa parecida.

Última noite a bordo.
Jantar de despedida, formal, elegante. Nos vestimos com apuro e prestigiamos o comandante e a tripulação, sempre atenciosos e prestativos.  Confraternizamos com os outros passageiros e fizemos um brinde ao Perla e ao nosso cruzeiro inaugural. Espero ter a chance de fazer outro em breve.

02/06 – Chegada no porto de Pireus em Atenas às 7 horas. Desembarque após o café da manhã.   

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