Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Grécia • Ilhas Gregas

Rodes
Foto: Rodes - Baía de São Paulo

31/05 – quarta-feira
Rodes
Depois do insucesso e do cansaço da véspera, resolvemos aderir a uma excursão para visitar Rodes e valeu a pena. Tivemos boas informações sobre a história da Cidade Antiga e transporte para it até Lindos onde, no alto de um penhasco, se ergue uma acrópole. Além disso, apreciamos e identificamos os elegantes edifícios públicos construídos próximos ao Porto de Mandráki durante a ocupação fascista italiana nos anos vinte, confortavelmente sentados e refrigerados.
Rodes era uma ilha sagrada e parte dos impérios romano e bizantino. Na entrada do porto, suposto lugar do Colosso de Rodes, a guia nos apontou duas pequenas estátuas de bronze: um veado e uma corça, símbolos da cidade.

O Colosso de Rodes era uma gigantesca estátua do deus grego Hélios colocada na entrada marítima da ilha grega de Rodes. Ela foi finalizada em 280 a.C. pelo escultor Carés de Lindos, tendo 30 metros de altura e setenta toneladas de bronze, de modo que qualquer barco que adentrasse a ilha passaria entre suas pernas, que possuía um em cada margem do canal que levava ao porto. Na sua mão direita havia um farol que guiava as embarcações à noite. Era uma estátua tão imponente que um homem de estatura normal não conseguia abraçar o seu polegar. Foi construída para comemorar a retirada das tropas macedônias que tentavam conquistar a ilha. Apesar de imponente ficou em pé durante apenas 55 anos sendo abalada por um terremoto que a jogou no fundo da baía.

De acordo com a guia e com o site da Internet de onde copiei esta informação, o Colosso de Rodes ficava aí, sobre a entrada do porto, mas há quem afirme que se encontrava no lugar do templo de Apolo, onde hoje se ergue o palácio dos Grãos-Mestres na Cidade Antiga. Pelo jeito a guia tem um interesse muito grande pelo Deus-Sol pois contou que Zeus deu a Hélios a ilha de Rodes para compensá-lo por transportar o sol em sua carruagem. Achei estas histórias muito interessantes e lastimei não ter estudado um pouco de Mitologia antes da viagem. Estaria mais capacitada para entender.

Vero ou não vero, o fato é que Hélios cuidou bem do presente, visto como o clima é excelente, ensolarado, perfeito para os turistas. O deus sol aparece 300 dias por ano...
Rodes fica bem próximo da Turquia e o hidrofólio, meio de transporte comum entre as ilhas, leva uma hora para chegar lá. A ilha é muito grande, a quarta em tamanho entre as 200 da Grécia. 65% da população trabalham com turismo, há pouca agricultura e indústria. Os produtos são trazidos do continente, da Grécia ou da Turquia.
A ilha conta com excelentes praias de areia, oferece boas caminhadas e uma vida noturna animada. Faliraki é uma praia excelente, de água cristalina. A costa oeste é ventosa e ótima para windsurfe.
Em seu interior encontram-se mosteiros isolados e vilas intocadas.

Visita à Cidade Medieval
Saltamos do ônibus e atravessamos um dos onze portões que dão acesso à cidade antiga, circundada por fossos e 3 km de muralhas. Enquanto íamos caminhando pela Rua dos Cavaleiros a guia nos apontava as hospedarias dos Cavaleiros de São João, cada edifício referente a uma nacionalidade. As construções datam do início do século XIV, em estilo gótico, e logo despertaram o meu interesse. Fascinada que sou desde criança por histórias de cavaleiros, sendo naquela época os da Távola Redonda os meus favoritos, fiquei logo curiosa em saber mais sobre esses, até então para mim desconhecidos.

Fundada no século 11 por mercadores de Amalfi, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João, ou de Malta, guardava o Santo Sepulcro e atendia aos peregrinos cristãos em Jerusalém. Eles se tornaram uma ordem militar depois da Primeira Cruzada, mas tiveram de se refugiar em Chipre quando Jerusalém caiu. Depois compraram Rodes e conquistaram seus habitantes. O Grão Mestre foi eleito governador vitalício da Ordem, dividida em sete nacionalidades: França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Provença, Espanha e Auvergne.

Entramos em seguida no Palácio dos Grãos-Mestres, fortaleza dentro de uma fortaleza, outrora sede dos 19 Grãos-Mestres. Resistiu a um cerco, uma explosão e um terremoto. Teria passado algumas horas visitando suas salas, que abrigam tesouros valiosos e duas exposições sobre Rodes, mas tivemos de prosseguir. Fiz votos de voltar à tarde, não só para a visita, também para melhor apreciar esse fascinante conjunto.
Como uma das mais belas cidades fortificadas existentes no mundo, a Rodes antiga é hoje considerada Patrimônio da Humanidade.

Lindos
Imperdível! Além da magnífica Acrópole de frente para o mar, há que se admirar a arquitetura das graciosas casas brancas e os castelos dos cruzados.
Penoso foi chegar lá. O estacionamento em baixo estava repleto de ônibus de turismo e foi aí que fomos despejados. Para subir os 380 degraus só a pé ou de burrico. Me recusei a montar num. É uma subida braba e o acesso estava congestionado. Acabou com as minhas pernas e pés, mas não podia perder. Além das ruínas da Acrópole, a vista do alto é de tirar o fôlego. Algumas das fotos mais lindas que temos no álbum: de um lado a Baía de S. Paulo, onde se diz o Apóstolo desembarcava, pontilhada de barquinhos brancos; do outro, uma lagoa azul turquesa, encrustada no mar azul cobalto do Mediterrâneo. Dá pra visualizar?
A Acrópole é coroada pelo Templo de Atena, um dos lugares mais sagrados da Antiguidade. Natureza e História associadas, fato comum nessas ilhas gregas.
Voltamos admirando o casario e entramos numa igreja bizantina que tinha chamado minha atenção na ida. Um encanto!

Por todo lado, tavernas, restaurantes, lojinhas de suvenir, mulheres vendendo rendas, tentações.
Pernas reclamando, olhos e espírito aplaudindo, retornamos ao ônibus, nossa salvação.

Parada numa cerâmica em Arkhangelos
Tivemos a oportunidade de apreciar um artesão moldando um vaso, outro pintando e duas moças colorindo, com umas bombinhas de onde sai a tinta e uma ponta com que elas preenchem os espaços do desenho. As prateleiras tinham várias peças bonitas expostas, cópias muito bem feitas dos famosos vasos gregos, cujos originais se encontram nos museus. Escolhi um para a minha sala e aproveitei, também, para comprar algumas lembranças.

Voltamos ao navio para o almoço e um rápido descanso.
À tarde fomos a pé para a Cidade Medieval, mas não conseguimos chegar na praça central. Fiquei desapontada porque queria ver de novo, com mais calma, o que tínhamos visto no city tour. Perdemos muito tempo tentando telefonar com cartão, normalmente uma operação fácil, desta vez, por qualquer motivo inviável.
Já estava ficando irritada e acabamos saindo por uma outra porta e chegando à parte nova de Rodes, bastante movimentada e com lojas modernas. Um outro mundo! Já cansados, pegamos um táxi para voltar ao navio, certos de que para conhecer essa grande e interessante ilha precisaríamos de mais alguns dias. Conclusão a que chegamos também em relação às outras, o que multiplicaria o número de dias e, consequentemente, o valor do cruzeiro por 3, 4 vezes? Fora de cogitação...

E por quê o nome de Rodes?
Homero fala na Odisséia que os marinheiros de Ulisses haviam dado o nome de Rodes à famosa ilha por vê-la sempre coberta de rosas, e em razão do perfume inebriante que ali sentiam. Me informaram que as rosas crescem entre as rochas mas infelizmente não tive ocasião de admirá-las. Ou não era época de floração ou, conforme já mencionei, o tempo para a visita das ilhas onde há atrações históricas é curto, não dá para apreciar os detalhes.

Nota:
A palavra rosa procede do grego rhodon numa referência a Rodes, ilha coberta de rosas.

Curiosidade:
Segundo os gregos, a primeira rosa nasceu da espuma do mar quando Afrodite,  ao ver ferido seu amado Adonis, correu a salvá-lo. Quando suas lágrimas tocaram as águas, um branco rosal brotou das ondas e um espinho feriu a deusa que, com seu sangue, tingiu todas as rosas de vermelho. Afrodite deixou cair sobre o rosal o frasco de aromas que trazia preso à cintura, dando às rosas seu suave perfume de deusa.

Na Grécia antiga, as rosas eram consagradas a Afrodite, deusa da Beleza, e a Atena, deusa da Razão e da Sabedoria. As graças, servas de Afrodite, se cobriam de rosas às vésperas da primavera. Em  Rodes, a ilha das rosas, eram celebrados os mistérios da iniciação.
 

Copyright © 2007 • Myrthes Lima • Todos os direitos reservados • Dicas Culturais RioNossaDica