Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Grécia • Ilhas Gregas

Creta
Foto: Creta - Ruínas

01/06 – quinta-feira
Parte da manhã – Creta
Minha expectativa era grande em relação à passagem por esta ilha, pois incluía a visita ao palácio de Knossos. Quando fiz um curso de História da Arte, estudamos a história de Creta e vimos as pinturas e objetos do Palácio. Fiquei extasiada!
É a maior das ilhas gregas e a que fica mais ao sul. Heraklion, a capital e porto principal, ainda preserva as muralhas da época da ocupação veneziana. O centro da cidade é bem animado, principalmente em volta da Praça da Liberdade, onde há inúmeras livrarias e cafés. Dedalou é uma rua de pedestres, cheia de lojas de artesanato, restaurantes e bares. Fica bem próximo à “Praça da Fonte”, ponto de encontro da juventude. A fonte, construída pelo governador veneziano Francesco Morosini no séc. XVII, incorpora quatro leões, que na época já tinham 300 anos.
Não deixe de visitar o velho porto, a igreja de Santa Catarina, com seus famosos ícones e, sobretudo, o Museu Arqueológico, um dos mais importantes da Grécia. 

Knossos fica situada a apenas 5 km a sudeste de Heraklion – cerca de 5 minutos de carro – na colina de Kephala, às margens do rio Katsambas, no meio de oliveiras, vinhedos e ciprestes. É a parte mais conhecida, mais típica e de mais fácil acesso de Creta. Se o turista dispõe de apenas um dia, não pode deixar de visitar o palácio de Knossos e o Museu de Arqueologia. Partirá de Creta com uma idéia geral de sua antiga civilização.
Knossos era a cidade mais importante da ilha na era pré-histórica. Homero fala da existência de 100 cidades em Creta por ocasião da Guerra de Tróia e menciona Knossos em primeiro lugar. Ele descreve Knossos como “vasta” e “uma cidade importante” e nos informa que Minos era o rei. 
 
As escavações conduzidas em Creta a partir do início do séc. XIX trouxeram à luz os vestígios de uma grande civilização, a primeira civilização adiantada na Europa. Floresceu entre aproximadamente 2800 e 1100 a.C. e Arthur Evans, o arqueologista inglês que conduziu as escavações em Knossos, nomeou-a Civilização Minóica em referência ao lendário Minos. O centro da civilização Minóica era Knossos, onde as escavações revelaram o lugar real do palácio do Rei Minos com suas despensas bem supridas, apartamentos reais, santuários, o enorme pátio central e a sala do trono, onde o trono de Minos foi descoberto, o mais antigo da Europa.
(Knossos – A Complete Guide to the Palace of Minos – Anna Michailidou)

Após breve passagem por Heraklion, tínhamos só uma manhã em Creta e tanto para explorar, pegamos o ônibus que nos levou a Knossos. A região é extremamente pitoresca e as ruínas do antigo palácio ficam no centro de um enorme parque todo arborizado. Estava ansiosa para visitá-las, porém havia uma longa fila e foi preciso enfrentá-la. Lógico que valeu a pena. Em nada ficou a dever à minha expectativa.
As ruínas visíveis hoje são praticamente todas do segundo palácio. O primeiro foi destruído por um terremoto em 1700 a.C. e logo refeito. Visando à preservação, os afrescos são réplicas dos originais, que se encontram no Museu de Arqueologia em Heraklion. Algumas partes do palácio foram restauradas, tentando mostrar como eram na época, mas fica bem evidente o que é ruína e o que é restauração. Muito bem bolado!
Não fizemos uma visita guiada, nem de guia turístico na mão. O tempo era pouco. No entanto, foi extremamente proveitosa e muito agradável. Fiz questão de ver todas as réplicas dos afrescos, que tinha visto em slides na aula de História da Arte, e depois conferi-los com os originais no museu.
No monumental portão em colunas, por onde se entrava para o palácio, o Portador da Taça, detalhe do afresco Procissão. Mais um detalhe deste afresco: o Príncipe dos Lírios.
No Megaron (quarto grande) da Rainha, parte dos aposentos reais, o famoso afresco dos Delfins. No salão, a representação de uma mulher minóica com o cabelo penteado em cachos longos, no afresco da Dançarina. 
Outra belíssima pintura: O Colhedor de Açafrão, o mais antigo afresco sobrevivente.
Na Sala do Trono, admiramos o trono de pedra original, ladeado pelos dois grifos do extenso afresco. O grifo, na mitologia um animal com cabeça e asas de águia e corpo de leão, era um símbolo sagrado nos tempos minóicos.
Fiquei emocionada ao ver estas pinturas! Além de representarem um testemunho da vida e da arte em Creta, são de uma delicadeza extrema.

Nota 1:
A arte cretense é uma arte alegre, celebra a boa-vida e o luxo do rei e da aristocracia, representando procissões, festas, torneios, as mulheres e sua coqueteria.  
As formas são alongadas, estilizadas elegantemente e as atitudes tendem ao dinamismo.
A representação das pessoas é feita de acordo com a hierarquia social: o mais aristocrata é o mais duro, o mais rígido; o servo, o mais humilde é o que apresenta mais movimento; e o animal, então, é ainda mais naturalista.

Passamos depois pelas despensas onde ainda se encontram os enormes jarros nos quais eram armazenados os grãos, o vinho, o óleo e outros suprimentos do palácio, atravessamos o espaçoso pátio e continuamos nosso passeio pelas dependências do palácio. Fiquei surpresa quando constatei que havia encanamentos para água potável e para esgoto, um sistema de refrigeração e vasos sanitários, o que mostra como os arquitetos e construtores eram adiantados.
Terminamos a visita maravilhados com tudo o que vimos no Palácio de Knossos.

Nota 2:
A arquitetura dos palácios cretenses é uma arquitetura toda palpitante, toda irregular, toda assimétrica, cheia de variedade.
Os palácios são construídos em torno de um grande pátio e a entrada de ar e luz é feita através de poços.
Os materiais utilizados são a pedra e a madeira, o sistema denominado enxaimel: estrutura de madeira preenchida com pedra, utilizada pela primeira vez em Creta e mais tarde pelos normandos.
Frank Lloyd Wright, o famoso arquiteto americano, utiliza algumas idéias da arquitetura cretense. Ex. poços para aeração e insolação.

Encerramos com fecho de ouro nossa passagem por essa ilha histórica visitando o Museu de Arqueologia. Comparei os originais dos afrescos com as réplicas do palácio e me dei por satisfeita. Cardoso aproveitou para fotografar a Dança com touros e Meninos lutando boxe, que o encantaram. Admirei os belos vasos minóicos, tentando identificar os períodos, mas meus conhecimentos falharam. Não consegui. Nem por isso deixei de achá-los deslumbrantes. Encantadoras, também, as Deusas-Serpentes, que já tinha visto em slide. São duas figuras pequenas em faiança que representam uma sacerdotisa em ritual religioso. Datam de cerca de 1600 a.C. e foram encontradas, adivinhem aonde?  Em Knossos.
Não deu para explorar as belezas naturais desta imensa ilha nem para conhecer as praias, contudo saí de lá realizada. Fiz um curso relâmpago, mas muito rico, de História da Arte e recordei meus conhecimentos anteriores.

Nota 3:
Os vasos são decorados com motivos marinhos porque Creta é uma ilha e todos esses elementos do mar eram usados: polvos, conchas, pérolas, algas, sargaço.
A serpente é a deusa da fertilidade, da terra, representa a mãe, a mulher. A mulher ocupava um papel muito importante, era muito valorizada em Creta, diferentemente da Grécia, onde era relegada a um plano secundário.
(Notas extraídas do caderno e da Apostila de História da Arte Volume 1 – Da Pré-História à Grécia - Gustavo Schnoor)

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