Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Suécia

Edifícios públicos vistos do barco

Foto: Edifícios públicos vistos do barco

Eu tinha expectativas muito fortes em relação ao país – primeiro mundíssimo - ao povo – altamente civilizado – e à capital, Estocolmo – primeiro mundo, civilizada. Ainda mais, cosmopolita. E, o que sempre me atrai, uma cidade de beleza comprovada. De certa forma, essas expectativas se concretizaram, apesar de que impressões formadas por uma estadia curta nem sempre sejam confiáveis.

A Suécia é um reino e Carlos Gustavo é o rei. A rainha chama-se Silvia e é de origem brasileira. É o maior país da Escandinávia e o mais populoso – 9 milhões de habitantes. Na capital, quase 2 milhões. Que diferença do nosso país!!! As cores da bandeira são amarelo e azul: cruz amarela num fundo azul. A moeda é a coroa sueca, de valor mais baixo do que a norueguesa. Por este motivo, os noruegueses vêm fazer compras e, até mesmo, abastecer o carro na Suécia. O custo de vida, de um modo geral, é mais baixo: a comida, os aluguéis, etc. Não nos explicaram por quê. Fiquei curiosa, mas achei ótimo, pois íamos permanecer mais dias no país. O idioma oficial é o sueco, de uma família germânica, um pouco parecido com o alemão e um pouco com o inglês. Bastante parecido com o norueguês. Não há necessidade de um intérprete para um sueco e um norueguês se comunicarem. Mas pra mim, mesmo falando inglês, não dá pra entender, não. A Suécia é um país de inventores: Alfred Nobel inventou a dinamite. Celsius inventou o termômetro. Karl Lineus inventou um sistema mais abrangente para classificar as plantas. Um outro sueco, não me lembro do nome, inventou o fecho-eclair; um outro, ainda, o mouse para o computador, e por aí vai. Quanta imaginação!!!

Deixando o interior da Noruega, cujas paisagens são deslumbrantes, entramos na Suécia, que é um país de rios, lagos e bosques, também muito bonito, mas sem o esplendor dos fiordes. No entanto, os bosques logo me conquistaram e passei a admirar as bétulas, árvores altas de tronco branco. Ao longo da estrada, cercas de metal. Fiquei um pouco decepcionada. Depois de ouvir tantos elogios à segurança do país, por que as cercas? Logo me tranqüilizei. São para impedir que os alces, que vivem nesses bosques, atravessem a estrada. Ufa!!! Ainda bem... Ao invés de fiordes, rios. Rios preguiçosos, volúveis, inconstantes, favorecendo ora um lado da estrada, ora outro. E eu quebrando o pescoço para acompanhá-los. Vamos pernoitar em Karlstad. Tem este nome porque foi fundada pelo rei Karl. É uma cidade pequena, porém moderna. Está situada às margens do Lago Vänern, (5000 km quadrados), um dos maiores da Europa. O hotel em Karlstad foi o melhor da excursão – instalações modernas, funcionais, banheiro com tudo que se precisa, toalhas felpudas, bonitas, uma branca e uma cinza. Gostei! À noite, saímos para conhecer a rua principal, bem próxima do hotel e, pra variar, na volta nos perdemos. Foi bom porque vimos mais coisas da cidade: a igreja, a escola, um parque. As lojas já estavam fechadas, mas as roupas expostas, elegantes, de bom gosto. As ruas estavam quase desertas, esfriou, queríamos voltar ao hotel. Vimos um rapaz com uma menina ao lado de uma bicicleta. Pedimos informação. Foi muito prestativo. Olhou no mapa e ficou meio em dúvida. Montou na bicicleta, com a menina atrás, e foi procurar. Voltou para mostrar o caminho. Boas vindas do sueco de Karlstad! De volta ao hotel pegamos agasalhos e saímos para jantar. A guia tinha recomendado uma pizzaria bem próxima. Cansados que estávamos depois de um longo dia decidimos ir lá mesmo, embora um pouco duvidosos quanto à pizza sueca. Mas tivemos uma surpresa. Estava deliciosa! Massa fina e cobertura saborosa. Cerveja Carlsberg, dinamarquesa, que desde lá tinha nos agradado – “agora temos de experimentar as suecas que, de acordo com meu médico, são excelentes.”

Estocolmo
No que se refere à geografia, Estocolmo é deveras original e atraente pois se espalha sobre 14 ilhas ligadas entre si por pontes. É chamada de Veneza do Norte. Por quê? É uma cidade flutuando na água. Observando-se um mapa ou uma foto tirada do alto esta característica fica bem evidente. As águas que banham a cidade se originam de uma longa baía que vem do Báltico e de um grande lago, o Mälaren. Como o lago é mais alto do que a baía, a passagem entre essas duas águas é feita por meio de eclusas. O passado de Estocolmo está concentrado na Cidade Velha, Gamla Stan, conhecida como a cidade entre as pontes. Nessa pequena ilha a capital da Suécia foi fundada há mais de 700 anos. As ruas pavimentadas com pedras e os becos sinuosos seguem o plano urbano medieval. As casas antigas e as espirais elevadas estão impregnadas de história. Foram essas espirais reluzentes que me trouxeram à lembrança Praga, cidade que tanto me atraiu e onde nunca pude voltar. Foi uma espécie de retorno... E logo me conquistou... Daí pra frente, com o coração já tomado, foi só andar de um lado pro outro, explorando e conhecendo. Ainda bem que pudemos prolongar nossa estada, que seria de apenas um dia e meio caso continuássemos na excursão. Permanecemos mais 3 dias e desta vez não saí frustrada. Assim que chegamos, a guia se ofereceu para acompanhar o grupo num passeio pelo centro e pela Cidade Velha. Como era de se esperar, todos aderiram. Estava programado um city tour completo para o dia seguinte, mas todo o mundo mostrava-se ansioso para conhecer esta cidade, considerada uma das mais cosmopolitas da Europa. Após levarmos a bagagem para o apartamento, nos reunimos no hall. Como o hotel é próximo da principal rua de pedestres, cujo nome é tão complicado que nem consegui decorar, saímos a pé e quase nos perdemos no meio de tanta gente que por lá perambulava. A maioria, turistas, bisbilhotando as vitrines e comparando os restaurantes. Estava próximo da hora do almoço. Nós, nem tivemos muita chance de olhar, pois a guia parecia ter pressa. Só queria mesmo nos conduzir até lá para voltarmos depois. Prosseguiu até o lago, atravessamos uma ponte e entramos em Gamla Stan. Foi ainda conosco até a praça central, onde ficamos por nossa conta, com instruções detalhadas de como voltar. Fizemos nosso primeiro contato e tomei nota dos pontos principais. Não tinha dúvida de que lá retornaria mais do que uma vez, porém já sabendo que havia muito, muito mais para conhecer em Estocolmo.

Não achamos difícil nos locomover, logo aprendemos a usar os ônibus, que são confortáveis e pontuais, e também o metrô, um pouco mais complicado. Nos economizou tempo e coroas. A única dificuldade, para a qual inclusive precisamos pedir socorro algumas vezes, é o nome dos lugares. Cada “palavrão”! Mesmo de mapa na mão fica difícil decifrar.

Imperdíveis em Estocolmo:
• Uma visita ao Museu Vasa
Há um bom número de museus em Estocolmo, me disseram que 70, e vários parecem interessantes. Um, entretanto, é imperdível – o Museu Vasa. O Vasa é um navio de guerra do século XVII que naufragou no porto de Estocolmo logo após seu lançamento. Foi resgatado do fundo do mar 300 anos depois, com o casco original praticamente preservado, entalhado com esculturas. Estão também expostos no museu objetos recuperados do naufrágio e esculturas em tamanho natural de homens e mulheres vestidos com trajes da época, representados em cenas do dia a dia.

Museu Vasa Museu Vasa, fofocando com uma nativa

O museu foi construído especialmente para abrigar o Vasa e, graças à maneira como foi planejado, é possível admirar o navio em todos os seus ângulos. É um espetáculo!!!

• Outro dos imperdíveis é, sem dúvida, Gamla Stan.
Não vá com pressa. Destine algumas horas, uma parte do dia, o dia todo se possível. Você não vai se arrepender. Vá a pé ou de barco, mas não deixe de ir. E voltar, como nós. Admire as construções históricas, as casas elegantes em estilo germânico, o Parlamento, o Palácio Real, visite a belíssima Catedral, vasculhe as lojinhas de artesanato local, antiguidades, cristais, as livrarias. Faça uma refeição num dos simpáticos restaurantes. Perca-se no labirinto de ruas e becos e não se aflija. Você, perdida, vai encontrar lugares imperdíveis. Numa das vezes almoçamos num restaurante típico e pedi um prato sueco – arenque marinado com três molhos: mostarda, creme de leite e um outro meio adocicado. Cardoso também ousou um prato típico – arenque frita com purê de batatas e molho de manteiga com salsa. Ambos deliciosos!

• Hotorget
Visitar o Mercado ao ar livre e depois atravessar a rua e almoçar no “bandejão” do subsolo do “Filmstaden Cinema” onde existe um mercado, super sortido e interessante, com stands de peixes, carnes e frios, queijos, legumes, doces, bebidas. Minha vontade era provar e levar uma amostra de cada item, para mostrar e degustar na volta. Infelizmente, impraticável! Mas provei a típica sopa de peixe com creme de alho e achei nutritiva e saborosa. Acompanhada de duas fatias de pão preto e cerveja “light” me satisfez e não pesou na consciência. Nem no bolso...

• Uma caminhada pelo parque à beira do lago, na Ilha de Djugarden.
Os canteiros estavam todos floridos nesta época do ano. Tiramos muitas fotos.
Fiquei embevecida!

• Sob as pontes de Estocolmo
Este é um passeio de barco feito para conhecer a cidade vista da água passando sob 15 pontes e 2 eclusas, navegando em água salgada e nas águas do Lago Maalaren. Há outros passeios mas este é o básico e nos contentou.

• Stureplan
Esta praça concentra simpáticos bares, restaurantes e lojas, além de uma belíssima galeria de arquitetura bastante característica (Sturegallerian) com lojas sofisticadas, cafés e muito mais. Fizemos uma refeição ligeira no Espresso House, na praça. Foi legal!

• Drottninggatan (Rua da Rainha) – a principal rua de pedestres
Talvez seja um programa um pouco brega, esta rua estava sempre congestionada, cheia de turistas, mas o comércio é ótimo, variado, tem de tudo. Acho que faz parte palmilhá-la. Pausa - sentar à tarde numa mesa ao ar livre e tomar um cafe latte. Vem num copo bem grande e como é muito quente fica difícil segurá-lo. É preciso esperar um pouco para tomar. Como ninguém parece ter pressa em Estocolmo, fica-se ali, degustando o café e vendo o povo passar. Apreciando-se as modas, de turistas e locais, nesta rua, mais turistas do que locais!

Vale a pena:
• Visitar o City Hall
É uma belíssima construção encimada pelo símbolo nacional: três coroas douradas – Tre Kronor. As visitas são guiadas, em inglês, mas não conseguimos realizar porque só podem ser feitas em determinadas horas. É necessário saber os horários antes.

• Ir ao Skansen, o museu a céu aberto mais antigo do mundo
Este museu, construído em 1891, ocupa uma área de mais de 300.000 m² e oferece a seus visitantes um magnífico testemunho da história sueca, documentando o modo de vida no interior em diferentes épocas e regiões. Passeando-se pelas ruas de uma pequena cidade, pode-se visitar uma igreja, uma escola, uma oficina, algumas lojas e residências, fielmente reconstruídas. Dentro das casas, mulheres vestidas com trajes da época, realizando tarefas domésticas e usando utensílios típicos da época. É possível, também, percorrer uma fazenda, com alguns animais, e um moinho. Achamos muito interessante e original.

Depois da visita, como já fosse hora do almoço, resolvemos comer por lá mesmo. Não foi uma boa idéia. Havia várias barraquinhas vendendo comidas típicas, mas tivemos que entrar numa fila. Sentamos numa mesa longa com muitas outras famílias, crianças, nenês em carrinhos. Muito familiar, porém muito barulhento e confuso. Além do mais, tivemos que repartir nossa refeição com as abelhas, que insistiam em voar em torno dos comensais. Lastimamos não ter voltado para o centro e repetir a sopa de peixe como pretendíamos.

• Visitar as livrarias
Quando eu estava organizando meus pensamentos para nossa viagem à Escandinávia, me veio à mente uma escritora sueca cujos livros havia lido na juventude e gostado muito: Selma Lagerlöff. Me lembrava do título de um, que me marcou, e fiz planos de comprá-lo em Estocolmo. Palmilhamos as livrarias, mas não o encontrei. Havia outros dessa autora, mas não o que procurava. Nem constava dos catálogos. Cheguei à conclusão de que estava enganada. Na realidade, havia poucos dela em inglês e fiz a besteira de não comprar pelo menos um. Me arrependi, também, de não comprar um livro de receitas. Gostaria de acrescentar algumas a estas notas.

Alerta!!!
Não fomos alertados em relação a ladrões ou assaltantes, nem tivemos susto algum em relação a isso. Só tivemos dois problemas: Em relação aos nomes das ruas e dos lugares, difíceis de ler e encontrar no mapa. Em relação aos horários dos restaurantes. No dia da chegada, saímos para jantar por volta das 9 horas e encontramos os restaurantes próximos ao hotel já fechados. Fomos até a rua de pedestres, estava morta. Tudo fechado também. O que nos salvou foi uma loja de conveniência, nossa velha amiga Seven Up, bem em frente ao hotel. Compramos sanduíches, sucos e iogurtes. Não era o que esperávamos nesta primeira noite, mas quebrou o galho!

Espero que tenha dado pra sentir que nossa estada em Estocolmo foi plenamente satisfatória. Tanto que o Cardoso mudou de idéia e decidiu reencarnar sueco. Com moradia fixa nesta cidade que tanto lhe agradou.

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