Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Noruega

Foto: Estátua do Rei Olav V no bosque de Holmenkollen - Oslo

A Noruega é a terra dos Vikings. Originários da Rússia e, também, da Dinamarca, lá se estabeleceram. Eram agricultores ou comerciantes, donos de uma cultura muito desenvolvida, usavam alfabeto e escreveram sagas. Sua mitologia é muito interessante, em alguns aspectos semelhante à grega. Tinham muitos deuses, de nomes sonoros, entre eles Thor, da coragem, Odin, da guerra, Efreia, do amor. Como possuíam poucas terras para cultivar e eram guerreiros, construíram navios e invadiram alguns países da Europa. Chegaram até a Groenlândia e há indícios de que estiveram na América do Norte 500 anos antes de Colombo.

Norge é a palavra em norueguês para este pequeno país, o menor da Escandinávia, porém o mais rico. Quer dizer “caminho do norte”.

A capital é Oslo, uma cidade muito antiga, fundada no sec. XI. Situa-se na extremidade de um fiorde, também chamado Oslo, e muito ao norte. Fiquei super curiosa com esta situação geográfica e estiquei a cabeça o mais que pude quando entramos na cidade. Tudo que vi foi mar de um lado e muita gente do outro. Estava acontecendo algum evento às margens do porto e parecia muito animado. Quanto ao fiorde, não deu pra identificar.

A latitude é a mesma de São Petersburgo, na Rússia, e Anchorage, no Alaska. Senti até frio quando fui informada.

Florestas e bosques cobrem mais da metade de Oslo e os parques ocupam uma área de 23 km quadrados. Isto me encantou e durante o city-tour tivemos ocasião de percorrer alguns. Aliás, a palavra Oslo significa “bosque” na antiga língua dos Vikings.

Vimos, também, muitas flores, plantadas ao longo dos parques e nas praças. Uma cidade extremamente agradável! Nesta época do ano, auge do verão.

Já no inverno, as coisas mudam: faz muito frio e a neve alcança mais de um metro de altura. Os dias são curtos, às 8 horas ainda está escuro e às 3 da tarde, escuro novamente. Aí já não digo nada se o lugar é tão agradável... Apesar de que seus habitantes aproveitam a estação fria para praticar esportes de inverno. Há várias pistas de esqui e os lagos se transformam em pistas de patinação. Imagino que o inverno deve ser muito atraente, mas para mim, que vivo num país tropical, não sei não. Acho que iria congelar.

Insuficiente foi a nossa permanência em Oslo – 2 noites e um dia. Pelo menos para mim, porque a cidade oferece tudo o que mais aprecio: natureza, cultura e arte.

Os prédios públicos têm estilos arquitetônicos diversos, alguns de aparência clássica, como o Teatro Nacional e a Universidade, outros bem moderna, como a Prefeitura e a nova Sala de Concertos. No hall da Prefeitura há belíssimos painéis, que vi de relance, e no interior do prédio da Universidade, murais extraordinários de Edvard Munch, que nem cheguei a ver.

Outra atração de Oslo é o trampolim de esqui de Holmenkollen, onde se realizam importantes competições. A princípio, essas competições eram só para homens, eles não queriam que mulheres competissem. De acordo com a nossa guia, temerosos de que elas os vencessem. Mas agora elas participam e no ano passado uma mulher saltou de 128 m, quase empatando com o vencedor. Ele saltou de 136...

Também na política elas estão competindo. O Parlamento norueguês tem duas câmaras, com 165 lugares, muitos dos quais ocupados por mulheres. Vou tentar descobrir a percentagem...

O porto é bastante movimentado devido às constantes chegadas e saídas dos ferries que ligam Oslo a Copenhagen e Frederikshaven na Dinamarca, a Gotemburgo, na Suécia e a Kiel na Alemanha, sempre majestosos e pontuais. Destinos bastante tentadores! Logo deu vontade de me enfiar num deles...

As ruas em torno das docas, onde se localizavam importantes estaleiros e armazéns, hoje estão revitalizadas e oferecem várias opções de lazer e compras: restaurantes e bares, quiosques, cinemas, galerias de arte e butiques com as melhores grifes. Além de músicos e artistas de rua se apresentando. Um lugar muito agradável, principalmente no final da tarde, quando noruegueses e turistas sentam-se para conversar e tomar uma cerveja em um dos inúmeros terraços, enquanto o crepúsculo desce, os ferries cruzam pra lá e pra cá pelo fiorde, as gaivotas gritam e o cheiro de maresia, que tanto aprecio, se adentra pelo nariz.

A área de Oslo de maior valor histórico fica em volta da Fortaleza de Akershus, construída pelo rei Häkon V num extremo do fiorde, aí bem próximo. Vale uma visita à fortaleza, que no século XVII foi reformada em estilo Renascentista Dinamarquês e que à noite, toda iluminada, é um espetáculo.

O que deu pra fazer nesta tão “curta permanência” em Oslo?

Na primeira noite, procuramos um restaurante próximo ao hotel para jantar. Tínhamos uma indicação de nossa guia de viagem, de um “smorgasbord”, mas quando chegamos ao local, que decepção! O restaurante não estava mais lá. Encontramos um restaurante italiano, de massas. Não era bem o que queríamos nessa primeira noite na Noruega, terra de pescados e bacalhau. Por falta de opção e cansaço, lá ficamos. Matamos a fome, porém saí dali frustrada.

Na manhã do dia seguinte, fizemos um city tour. A guia nos apontou os prédios mais importantes e o Palácio Real. Nos informou que o rei atual se chama Harald e a rainha, Sonia.

Passamos a seguir por um bairro residencial bastante tranqüilo e arborizado e, subindo uma rua bem íngreme, ladeada de elegantes mansões, chegamos a Holmenkollen e vimos o trampolim de esqui e algumas pistas, que à noite ficam iluminadas. O panorama é magnífico. Tem-se uma boa visão do porto e dá para entender melhor o fiorde. Tiramos fotos ao lado do Rei Olav, pai do atual rei, em vida um grande esquiador. Fiz questão de subir na estátua pra sair bem do lado de Olav, um homem bastante atraente. Pelo menos na estátua...

Sem dúvida, o que mais me impressionou, não o que mais apreciei e sim o que mais impacto me causou, em Oslo, foi a visita ao Parque Vigeland, onde estão expostas as obras do famoso escultor. São 212 esculturas em bronze, ferro e granito, com mais de 600 figuras, todas modeladas em tamanho natural. Ao entrar no parque, passando por belas grades de ferro fundido também projetadas pelo escultor, o visitante inicia uma jornada pelo Ciclo da Vida, desde o nascimento até a maturidade. A seguir, Vigeland desenvolve o tema da “Fonte e Árvore da Vida”. De uma fonte colossal, jorra água para a vida, a natureza e o homem. Da “Árvore da Vida”, brotam bebês, jovens, pais e mães, crianças, velhos e a morte. Ora muito bonito, ora um tanto macabro.

Ao subir as escadas, em direção ao monólito, ponto máximo do parque, em todos os sentidos, há 36 esculturas em granito que refletem as diferentes idades no Ciclo da Vida.

No monólito, cuja altura é de 17 metros e o peso 240 toneladas, 121 figuras se entrelaçam dramaticamente, lutando para alcançar o topo, finalmente conquistado por uma criança. Este setor do parque termina com um relógio astral marcando o horóscopo, simbolizando a passagem do tempo, e uma roda com sete corpos entrelaçados, onde a vida e a morte, o começo e o fim, completam o ciclo.

Na península de Bygdoy, onde estivemos depois, estão situados alguns dos museus mais interessantes de Oslo, mas só visitamos um: o Museu dos Barcos Vikings.

Nem consigo me lembrar do que comi no almoço. Deve ter sido algo muito leve e muito rápido porque não queria perder tempo.

Já sabendo onde se localiza a National Gallery, para lá me dirigi logo após a frugal refeição. Fui direto para as salas onde estão expostos os quadros de Munch. Quando a Galeria foi fundada, o governo decidiu adquirir todas as pinturas do artista disponíveis e conseguiu reunir nesse local 58 telas.

Edvard Munch foi um dos precursores do Expressionismo e nome importantíssimo na História da Arte. Seu quadro “O Grito” é conhecido não apenas por aficionados de arte. Pode-se dizer que é uma obra universal. Na realidade, não me demorei mais do que um quarto de hora na frente da tela, tempo suficiente para admirá-la e copiar os comentários anexos. Contudo, tenho a impressão de que lá me detive muito mais, tentando entender.

Também de Munch, Madona, esplêndida. Ocupa o lugar central no Friso da Vida – “cheia de paixão e sentimento, representa o milagre da vida e o papel da mulher como fonte de uma nova existência”.

Embora esta sala seja o ponto alto da Galeria, encontrei muitos outros quadros que me agradaram, inclusive de artistas locais.

No final da tarde fui dar uma volta pelo porto e subi até a fortaleza. Na volta passei pelo City Hall e fui até Aker Brygge. Estava animadíssimo. Decidi voltar rápido ao hotel e trazer o Cardoso para o meio do fuxico. Mesmo sem o tíquete e sem saber onde comprá-lo, consegui pegar um bonde e cheguei rapidinho ao hotel, poupando o que sobrava de minhas pernas para a noite.

Banho tomado, roupa trocada, pernas esticadas, só por alguns minutos, saímos para jantar, desta vez com boas indicações de restaurantes fornecidas pela guia do city tour. Vários em Aker Brygge, de acordo com ela bons para comer peixe e bacalhau. Percorremos toda a antiga doca e não foi fácil escolher. Muitos nos atraíram. Finalmente decidimos pelo D/S Louise. Não conseguimos uma mesa no terraço, ao ar livre, mas nem me incomodei pois gostei muito da decoração do salão. Dá a impressão de se estar dentro de um navio e no fim foi mesmo acertado. Antes de terminarmos o jantar começou a chover.

Nos deliciamos com o peixe das águas norueguesas e fomos muito bem atendidos. Apreciei as mesas bem postas, a louça elegante, os copos e talheres brilhando. Na hora de sair, continuava chovendo. Nessa rua de pedestres, com calçamento de madeira, impossível um táxi vir até a porta. O que fazer para não nos molharmos no meio da viagem e arriscar um resfriado? O problema foi facilmente resolvido pelo recepcionista, que logo produziu um guarda-chuva. Sem saber como devolvê-lo, no dia seguinte íamos partir cedo, fomos logo tranqüilizados. O guarda-chuva pertencia ao hotel onde estávamos hospedados. Estaria no restaurante à disposição de hóspedes desprevenidos, como nós, ou ... seria mera coincidência?

E foi assim, de uma forma curiosa, que encerramos nossa estada em Oslo.

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