Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Dinamarca

Foto: Copenhague

Copenhague, capital da Dinamarca, é uma cidade linda. (Beautiful Copenhagen, Wonderful Copenhagen, de acordo com propagandas locais, em nada exageradas). Seu charme está na grande diversidade de estilos arquitetônicos das fachadas e nos chamou a atenção a imponência dos edifícios públicos do Centro Antigo, em particular a Prefeitura. Também as praças merecem destaque. São amplas, arborizadas e delas brotam fontes com nomes sugestivos, de acordo com as esculturas que as compõem: das Cegonhas, do Dragão, Gefion, a maior da cidade. Representa a lenda de Gefion, a deusa nórdica que transformou seus quatro filhos em bois e colocou-os na frente de um arado. É cinematográfica. Aliás, há esculturas originais no alto de alguns prédios, também: a Rapariga do Tempo, que aparece com um guarda-chuva quando está chovendo e de bicicleta quando faz sol; o bispo dourado (Absalon, fundador da cidade) na fachada da Prefeitura e outras mais.

E por falar em bicicleta, os habitantes da cidade são fanáticos por pedalar e há ciclovias por todo lado. Que inveja senti dos ciclistas copenhaguenses! Têm pernas fortes e corpo bronzeado, obedecem aos sinais e unem o útil ao agradável. Vão às compras, às escolas e ao trabalho pedalando. Quanto aos turistas, podem alugá-las, apenas me faltou coragem. Tive medo de cair e guardei minhas pernas para andar: pela rua de pedestres, longa e movimentadíssima, plena de atrações e pelo parque Tivoli, que me trouxe à mente os tempos de criança: teatro de marionetes, roda gigante, montanha russa, picolé, sorvete de casquinha e até algodão doce. Além de palcos para concertos, boas lojas e bons restaurantes, os adultos também têm vez.

Imperdível é Nyhaven. Significa porto novo e de lá saem os barcos, transbordando de turistas, para os tours dos canais. Atrativo a mais ao longo do porto são as casas coloridas e os inúmeros restaurantes com mesinhas nas calçadas.

Sendo um regime monárquico, o país é governado por uma rainha, por sinal de descendência brasileira. Amalienborg, a residência de inverno da família real dinamarquesa, compõe-se de quatro palácios quase idênticos, em estilo Rococó, construídos ao redor de uma praça octogonal, de onde se avista a imponente cúpula da Frederiks Kirken, mais conhecida como Igreja de Mármore. As obras dessa igreja foram concluídas em 1894 e a cúpula, de cor verde, foi inspirada na do Vaticano. Próximo, na beira do canal, símbolo da cidade embora mignon e singela, a Pequena Sereia, que encanta crianças e adultos visitantes.

E tem muito mais, pra quem dispuser de tempo e de krones, pois o custo de vida é alto na Escandinávia. Quisera eu ter ficado outros dias, para visitar museus e navegar por todos os canais.

Foram boas as refeições que fizemos em Copenhague. Contudo, a que mais nos agradou foi o almoço no Hussman Vinstue, indicado pela nossa agente de viagem. É um salão com decoração rústica, situado num porão, muito aconchegante. Gostei logo!

Escolhi arenque marinado e Cardoso, como sempre, um peixe mais comportado. Pedimos um chope para cada um, não tão comportados porque tínhamos nos proposto a tomar cerveja apenas no jantar. Encontramos uma desculpa: almoço de despedida da cidade. Ainda mais, excelente a cerveja dinamarquesa. Não resisti à sobremesa de antemão recomendada – queijo brie derretido com geléia de framboesa e me deliciei. Depois fiquei sabendo que é uma sobremesa típica. A conta não foi tão alta como temíamos e, certamente, voltaríamos, não fosse esse o último dia. Para provar outros pratos da culinária escandinava.

Ao nosso lado sentou-se um casal e, logo depois, puxaram conversa, curiosos em relação à língua que falávamos. São suecos e acham a comida desse restaurante a melhor de Copenhague. Explicaram que quando estão bored fazem a viagem até lá para comer nesse lugar, de acordo com eles a melhor refeição da cidade. A conversa foi muito animada e adorei este contato com o casal sueco.

Pouco vimos do interior da Dinamarca. Deixando Copenhague, passamos pela Riviera Dinamarquesa e observamos muitos iates ancorados nas marinas. Além de pedalar, os dinamarqueses também curtem velejar. Têm bom gosto...

Logo fizemos a travessia para a Suécia, num ferry-boat - Hamlet – e avistamos o castelo de Kromborg, que serviu de cenário para a famosa história do príncipe dinamarquês. Shakespeare à vista!

Lastimei não termos passado pela moderníssima e ousada ponte sobre o canal de Ore-sund, que liga Copenhague a Malmo, na Suécia, mas a guia explicou que o pedágio é muito alto para ônibus, além de outros impedimentos. Não me convenceu...

A viagem é longa e chegamos a Oslo no final da tarde, cansados depois de tanto tempo no ônibus. No caminho, conhecemos algumas praias suecas, nada têm a ver com as nossas, areia escura e pedregosa. Mas a cidade de veraneio, Falkenberg, onde fica uma destas praias é uma graça! Detalhe charmoso: ao invés de quebra-molas na rua principal, para evitar que os carros entrem em alta velocidade, há dois vasos enormes cheios de flores. Fiquei encantada!

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