Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Moscou

Foto: Myrthes e Cardoso

O trem de São Petersburgo para Moscou é moderníssimo e muito confortável. As refeições são servidas nas poltronas, como nos aviões, por moças bem uniformizadas e eficientes. Mas há também um carro restaurante para quem preferir.
Refeição: um prato frio, um prato quente e sobremesa. Tudo incluído no preço da passagem.
Durante o trajeto, pouca coisa interessante para se ver. Cidades pequenas, apenas uma um pouco maior. Árvores, árvores, árvores. Nada de plantações. Achei estranho!

Chegada a Moscou.
Uma moça nos aguardava na plataforma para ajudar com as malas, pois não há carrinhos para bagagem. É uma estação antiga.

Chegada ao hotel
Cinco estrelas, luxuosíssimo, mas não havia ninguém para pegar as malas no carro. Nós mesmos tivemos que puxá-las até a portaria.
Tomamos um aperitivo no bar do hotel – Manhattan “pra variar”- e estava delicioso.
Jantar no restaurante do hotel. Comida boa, serviço fraco.
Demos uma volta pelas ruas próximas, quase vazias, passamos por uma carrocinha onde um senhor vendia cachorro quente e chegamos a uma galeria com lojas chiquérrimas. Que disparidade! Mas não sabíamos se era seguro sair só à noite e logo retornamos ao hotel.
No dia seguinte percebemos que estávamos bem perto da Praça Vermelha, a qualquer hora cheia de turistas, e que, pelo menos nessa região, pode-se andar tranquilamente pelas ruas. Perdi um olhar mais demorado às vitrines dessas butiques...

Nossa estadia em Moscou, apenas dois dias e meio, deixou na boca um gosto indefinido, de um doce que não foi saboreado até o fim. Um gosto de quero mais...
Parti pensando em voltar, pra ver o que ficou faltando, ao mesmo tempo sabendo que dificilmente será possível. Viagem muito longa, dispendiosa, pouco provável repeti-la.

27/08 – sábado

Café da manhã no salão do hotel, ao som de harpa.
A frequência é completamente diferente da do hotel em São Petersburgo. A maioria é de mulheres muçulmanas, não sei identificar de que país. Mas não são radicais. Usam uma mistura de roupas ocidentais e locais: calça jeans, tênis, mas blusas de seda. Lenços em volta da cabeça. As moças, apenas roupas ocidentais. Gostaria de saber de que país são.
Nada de grupos grandes de excursão, brasileiros e japoneses, como no outro hotel. Tudo mais discreto e elegante. Ainda assim, gostei mais do Angleterre.

Agora estamos no saguão de entrada, espaçoso, luxuosamente decorado, não conseguimos definir um estilo. Talvez uma mistura de estilos, ou um “neo” qualquer. De acordo com o Cardoso, parece uma relíquia do sec. XIX. Não é nada cozy. Só falta aparecer a Greta Garbo de repente.
Enquanto aguardávamos nossa guia, ficamos observando as pessoas e os detalhes da decoração, um tanto ou quanto rebuscada. Colunas douradas bem altas com lustres de cristal no topo. No centro do hall, uma coluna de mármore verde escuro – em cima um vaso com um arranjo grande de flores coloridas. Gostei do arranjo: dálias amarelas, lírios brancos e astromélias rosa. Acima, enorme lustre de cristal. Estátuas douradas de deusas gregas, anjinhos de bronze, todos portando lâmpadas. Que miscelânea!!!

Simpatizamos logo com nossa guia – Irina. Jovem, bonita, bem vestida, sorridente. Pelo menos conosco, pois nos explicou que os russos não sorriem, são muito sérios.
O motorista, Ilya, jovem, bom aspecto. Mas não tão gentil e simpático quanto Sergei.

Também Irina, muito falante, contando muitas histórias, não correspondeu à impressão que dela tivemos no primeiro contato. Fez algumas alterações no programa, deu algumas sugestões que não nos atraíram e deixou de chamar nossa atenção para outras que estariam mais de acordo com a nossa idade e nossas preferências. Por exemplo, o passeio de barco pelo Rio Moscou e uma refeição no famoso Café Pushkin. Perdemos!
Felizmente conseguimos, pelo menos, ir ao Museu Tretyakov. Por nossa conta, é verdade.
Enfim, sentimos falta da eficiência e sensibilidade da nossa guia em São Petersburgo.

City tour
Edifício do KGB

Edifício do KGB
Edifício do KGB

Irina fez questão de iniciar o city tour nos mostrando esse edifício e contando a história do noivo da avó, que foi enviado para a Sibéria e nunca retornou. Achei um tanto ou quanto romantizada, embora tanta coisa tivesse acontecido durante o regime soviético. De acordo com ela, 14 milhões de soviéticos foram vítimas do terror comunista, enviados aos gulags (campos de concentração), torturados, fuzilados ou fazendo trabalhos forçados. Não tenho outros dados para avaliar.

Edifícios de escritórios – cinzentos, feiosos, todos iguais. Herança da arquitetura soviética.

Praça Vermelha – Só de passagem no automóvel, mas um assombro!
Irina nos apontou o Portal da Ressurreição, a Catedral de São Basílio, o Museu Histórico e o Kremlin, onde fica a sede do governo russo, e nos aconselhou a fazer a visita a pé à tarde.

Teatro Bolshoi – numa praça bem perto do hotel.
Sede de uma das mais antigas companhias de balé do mundo, o Bolshoi é o segundo maior teatro de ópera da Europa, precedido apenas pelo Scala de Milão. Sua fachada é em estilo Neoclássico, com oito colunas jônicas, encimadas por uma esplêndida escultura em bronze representando Apolo, o Deus do Sol e da Música, ladeado por quatro cavalos voadores. Todas as vezes que saíamos do hotel, meu olhar para lá se desviava, cobiçoso. Mas, lamentavelmente, não pudemos visitá-lo. Estava fechado e a famosíssima companhia de balé em férias.

Catedral de Cristo Salvador
Catedral de Cristo Salvador

Catedral de Cristo Salvador – Essa enorme construção em mármore branco foge um pouco ao estilo das igrejas russas, é um prédio de linhas clássicas. Sua história é tão estranha quanto a história da própria Rússia.
Em 1812 o Czar Alexandre I planejou construir uma catedral ortodoxa russa, que seria a maior do país, para comemorar a derrota de Napoleão. No entanto, devido a vários contratempos, a construção só foi concluída em 1860. Em 1931 a catedral foi dinamitada para que aí fosse construído o Palácio dos Sovietes. Esse palácio deveria ter uma torre de 400 metros de altura e no topo dessa torre uma estátua de 98 metros do Lênin. Na palma da mão um heliporto, onde helicópteros poderiam pousar. Dá pra entender?
Esse plano foi mais tarde abandonado e em 1960 o espaço foi preenchido por uma piscina enorme, a maior do mundo ao ar livre. Outra loucura...
Uma campanha para angariar fundos visando a reconstrução da Catedral foi iniciada logo após a queda do regime comunista e a réplica existente foi concluída no ano 2000. Admirável!!!
Acho que não entramos, pois nem escrevi nem me lembro do interior. Apenas da fachada, decorada com esculturas em bronze e cúpulas douradas.

Parque e Lago dos Cisnes
Parque e Lago dos Cisnes

Parque e Lago dos Cisnes com o Convento das Novas Donzelas ao fundo.
O lago é pequeno e não tem cisnes, mas Tchaikovsky morava próximo e gostava de passear por ali. Diz-se que nele se inspirou para compor seu famoso balé. Será mesmo?
O convento fica do outro lado do lago e oferece uma linda visão, com suas cúpulas em forma de cebola douradas e cruzes russas no topo. Infelizmente lá não chegamos para visitá-lo.
Prosseguimos até um mirante de onde se tem ampla vista da cidade: prédios modernos, altos, onde se encontram escritórios e um centro comercial. Nessa altura dos acontecimentos, eu precisava ir ao toalete e adoraria tomar um cafezinho. Falei com a guia, que me indicou um banheiro químico próximo, por sinal bem sujo e inconfortável. Quanto ao cafezinho, ficou no esquecimento...

Rio Moscou e Ponte de Cristal
Esse rio corta toda a cidade. É um rio largo e navegável, atravessado por mais de trinta pontes, algumas bastante antigas, outras modernas, inclusive a Ponte de Cristal, de onde saem os passeios de barco.

Ministério das Relações Exteriores – um dos arranha-céus da época de Stalin. Universidade Estatal – outro prédio da mesma época.
Na verdade, esses arranha-céus, sete ao todo, não são prédios muito altos e são todos parecidos.

Voltamos de metrô para admirar algumas das estações mais bonitas. Inaugurado em 1935 como parte do plano do governo de transformar Moscou na capital do mundo comunista, foi concebido como uma amostra magnífica do sucesso soviético. As estações da época são amplas, luxuosas, revestidas de mármore, exibindo lustres de cristal, estátuas de bronze, pinturas a óleo. As cenas da vida cotidiana representadas me pareceram um tanto ou quanto irreais, pois todas as pessoas se mostravam muito felizes...
No entanto, importante é que o metrô é muito extenso, cobre toda a cidade e funciona muito bem. Os trens são limpos e bem conservados. A frequência é de minuto em minuto nas linhas principais. Essencial, pois a cidade é muito grande, espalhada e a população de mais de 10 milhões de habitantes.

tarde – Voltamos à Praça Vermelha, a pé, para visitar a Catedral de São Basílio, o marco mais emblemático de Moscou.

Catedral de São Basílio
Catedral de São Basílio

Entramos pelo Portal da Ressurreição. Reconstruído em 1995, é uma réplica do portal original, demolido por Stalin para facilitar o acesso à praça das paradas militares. A Catedral de São Basílio foi construída durante o reinado de Ivan, o Terrível. A torre central é cercada por cúpulas em forma de cebola, quatro grandes e quatro pequenas, todas coloridas, predominando o vermelho e o verde. Parece um enorme bolo decorado e é o que mais chama a atenção no centro histórico. Ao lado, ergue-se o campanário, construído mais tarde, no século XVII, igualmente colorido. Seus sinos tocaram até 1918, quando as autoridades comunistas fecharam a catedral e ordenaram que fossem derretidos. Somente em 1997 novos sinos foram moldados e novamente badalaram sobre Moscou.
Infelizmente a Catedral estava fechada e não pudemos visitá-la. Nem ouvimos os sinos. Se tivesse tido antes essa informação, ficaria atenta e, certamente, os ouviria badalar. Logo eu, que adoro o badalar de sinos, perdi.

Nota:

Estilo
O projeto do edifício, em forma de chama de uma fogueira subindo ao céu, não tem análogos no domínio da arquitetura russa.
As torres seguem o estilo conhecido como gótico russo: uma base cilíndrica que suporta uma cúpula cônica que pode ser coroada com uma cebola.

Ainda bem que a Catedral de Nossa Senhora do Kazan, que fica no outro extremo da praça, estava aberta.
Entramos para visitar e comprar alguns ícones, por indicação da guia. Logo depois começou uma missa e pudemos assistir a uma parte. Toda não, pois é uma cerimônia muito longa. Primeiro foi estendido um tapete, desde a porta de entrada até o altar. Depois, um sacerdote entrou, todo paramentado, seguido de outros. Um deles balançava um turíbulo, derramando incenso nos fiéis, todos muito contritos. Coro entoando músicas sacras. Gostei muito de assistir a essa cerimônia.

Essa catedral admirável, toda colorida, foi reconstruída em 1993, pois a igreja original do sec. XVI tinha sido demolida por Stalin pelo mesmo motivo que o Portal da Ressurreição: dar passagem a tropas militares na entrada da Praça Vermelha.
Foi originalmente construída para abrigar o ícone milagroso da Virgem de Kazan, padroeira da Rússia, e atualmente aí se encontra uma réplica.

Estava na hora do meu cafezinho e dessa vez não deixei passar. Fomos tomá-lo no Bosco Cafe e aproveitamos para visitar o GUM, histórico shopping de Moscou, construído no final do sec. XIX. É muito luxuoso. São três galerias revestidas de mármore polido e o teto é de cristal. Nele se encontram cerca de 200 butiques, vários cafés, sorveterias e lojas de comestíveis. É ponto obrigatório numa visita a Moscou, mas não tivemos fôlego para percorrê-lo todo.

noite – Repetimos nosso Manhattan no bar do hotel e comemos um Club Sandwich. Boa pedida.

Depois do lanche, voltamos à Praça Vermelha para ver a iluminação. Deslumbrante!!! Difícil encontrar palavras pra descrever. Todos os edifícios, monumentos, a Catedral de Nossa Senhora do Kazan, a muralha e as torres do Kremlin artisticamente iluminados, mas a da Catedral de São Basílio se destaca, realça a cor de cada cúpula: verde, rosa, laranja, azul, vermelho, é feérica. Parece uma imagem de conto de fadas. Ficamos ali parados, mudos, extasiados. Foi uma emoção!

Catedral de Nossa Senhora do Kazan
Catedral de Nossa Senhora do Kazan

28/08 – domingo
Como o programa para visitar o Kremlin com a nossa guia foi transferido para a parte da tarde, decidimos visitar a Galeria Tretyakov, onde se encontram as grandes coleções de arte russa, inclusive de ícones raros e valiosos.
Pensamos em pedir um taxi, mas a recepcionista do hotel nos explicou que a galeria fica bem próxima, e que podíamos ir de metrô: apenas uma estação. Resolvemos nos arriscar. Levamos as indicações escritas num papel, pois como o alfabeto é diferente do nosso, fica difícil reconhecer os nomes dos lugares. Mas foi tranquilo e adoramos a aventura. Saltamos na estação indicada e andamos pelas ruas agradáveis do bairro. Logo me encantou a igreja, tipicamente russa, bem em frente à estação. Mais adiante, praça tranquila e arborizada, comércio local, até um Mc Donalds. No centro da praça, chamando a atenção, uma fonte bem moderna, representando um quadro, a água jorrando pela moldura. Que original!
Ficamos deslumbrados com os ícones expostos nessa galeria e gostamos muito dos quadros de cenas tipicamente russas.
Os ícones mais antigos datam do sec. XII e são preciosos. Tomei nota dos que mais apreciei e que são da Escola de Kiev e da de Novgorod.
Os ícones que vimos, tanto em São Petersburgo, como em Moscou, foram uma parte tão característica da Rússia e tão fascinante dessa viagem, não só para mim como também para o Cardoso, que na volta fiz uma pesquisa para saber mais sobre suas origens e seus criadores.

A Anunciação (ícone de Novgorod)
A Anunciação (ícone de Novgorod)

Nota:
A tradição da pintura de ícones na Rússia foi importada do Império Bizantino, que forneceu ao estado recém-cristianizado os materiais necessários à liturgia, incluindo as representações religiosas de santos e mártires da religião. O centro de cultura de então era Kiev - hoje pertencendo à Ucrânia - e possivelmente os primeiros pintores ativos nesta cidade foram gregos ou eslavos bizantinizados, servindo como mestres para a formação de uma escola local de pintura. Naturalmente a primeira produção da que seria chamada Escola de Kiev seguiu de perto o estilo bizantino, mas logo passou a exibir características próprias, evidentes na seleção de cores e na dimensão das imagens, bem como na expressão das figuras.
Novgorod já tinha uma escola de ícones ativa no século XI, que cristalizou um estilo próprio em torno do século XII, e se manteve em atividade até o século XVI. Escapando da ocupação mongol da Rússia entre os séculos XIII e XIV, tornou-se o principal centro artístico do país até ser suplantada por Moscou. Sua primeira fase privilegiou o ícone em afresco. A diferença entre Novgorod e a tradição bizantina mais pura representada por Kiev também se nota na assimilação de elementos da arte folclórica local, no aspecto menos hierático e mais humanizado das figuras, que já eram menos estereotipadas e se pareciam à gente russa, e na passagem de seu olhar fixo e penetrante, que estabelecia um contato direto com o espectador, para uma expressão mais sonhadora, indireta e introspectiva. Seu maior representante foi Teófanes, o Grego (c. 1330-c.1410), que se educara em Constantinopla e mais tarde, mudando-se para Moscou, daria impulso à Escola de Moscou junto com outros mestres locais.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Pintura na Rússia.

Lastimei não ter visitado o outro prédio (Nova Galeria Tretyakov), onde se destacam os trabalhos dos Modernistas Russos, como Marc Chagall, Kazimir Malevich e Vasily Kandinsky, artistas que muito aprecio, mas tínhamos uma visita marcada para a parte da tarde.

tarde – Visita ao Kremlin O Kremlin é uma fortaleza, situada no centro da cidade e ocupa uma área imensa: mais ou menos 27 hectares. É a parte mais importante de Moscou pois aí se encontra a sede do governo da Rússia.
Eu não fazia ideia do que tem lá dentro: seis palácios, 4 belíssimas catedrais com cúpulas douradas, 2 igrejas, jardins bem tratados e um museu onde estão em exposição joias, os famosos ovos Fabergé, vestuário, carruagens, armas, que pertenciam aos czares e às famílias reais.
Saímos do hotel a pé com Irina e passamos pelo jardim Alesksandrovskiy, ao longo da muralha ocidental do Kremlin: florido, gramados verdes, fontes e estátuas. Sendo domingo, muitos jovens, deitados nos gramados, passeando, namorando. Gostaria de ter ficado mais por ali, admirando as flores e as fontes. Mas a programação do Kremlin era intensa.

O Kremlin é um dos conjuntos artísticos mais impressionantes do mundo, rodeado por dois quilômetros de muralha, com 20 preciosas torres, que podem ser percorridos através de um passeio paralelo ao rio e ao jardim Alesksandrovskiy. Uma das entradas para a cidade fortificada é pela Torre Spasskaia (de São Salvador) e foi a que utilizamos, precedidos pela nossa guia.
Esta torre octogonal foi construída em 1491 e restaurada em 1625, ano em que se instalou o Kremlevskie Kuranty, famoso relógio de 10 sinos e 25 toneladas de peso, cujo som é retransmitido pela Rádio Moscou às seis da tarde e às doze da noite.

Passamos pelo Arsenal e pelo Palácio dos Congressos, construção moderna da época soviética, em vidro, alumínio e mármore, que destoa das outras construções. Destaque para o Grande Palácio do Kremlin, um belo edifício amarelo e branco em estilo clássico, onde reside o presidente e onde se realizam as grandes recepções diplomáticas. Para visita-lo é necessária uma permissão especial.

Chegamos à Praça das Catedrais, a mais antiga de Moscou, e talvez a mais formosa. Nela se encontra o Campanário de Ivan, o Grande, joia do Renascimento russo. O campanário atinge 81 metros de altura e compõe-se de dois corpos de pedra branca de três andares cada um. Possui 20 sinos.
Na frente do campanário, a atração é o sino do Czar, o maior sino do mundo, pesando 222 toneladas. Tão pesado e tão grande que não pôde ser elevado e nunca foi utilizado. Outra peça esdrúxula nesse conjunto é o canhão do Czar, que originalmente se encontrava no centro da Praça Vermelha como símbolo do poder russo. Em volta da praça, encontram-se quatro deslumbrantes catedrais:
Catedral do Arcanjo São Miguel, edifício de grande elegância e beleza. Segue os padrões do Renascimento italiano e alterou o estilo sóbrio das construções do Kremlin. Em seu interior destaca-se o belo ícone do Arcanjo São Miguel e na sacristia podem-se admirar formosos afrescos de 1564. Catedral da Anunciação, que foi a capela privativa dos Czares. Destacam-se as nove cúpulas douradas, contrastando com o branco do edifício no exterior. No interior, o solo é de jaspe e ágata. Afrescos de 1508 e o iconostásio de 1405.
Catedral dos Doze Apóstolos, encimada por cinco cúpulas de grande beleza. No interior, outro precioso iconostásio.
Catedral da Assunção, onde se combina o melhor da arquitetura russa com a elegância inata do Renascimento italiano, sendo o edifício mais representativo de Moscou. Essa catedral foi construída entre os anos 1475 e 1479 por ordem de Ivan III. No exterior destacam-se a fachada e as cinco cúpulas douradas em forma de bulbo. O interior guarda como peças excepcionais o ícone do século XIII "São Jorge", considerada a melhor obra da escola de Novgorod, que faz parte de um impressionante iconostásio de 16 metros de altura; os afrescos de 1642 resgatados por uma excelente restauração e uma cópia da imagem mais venerada pelos ortodoxos, a Virgem Vladimir. O original desta peça, pintada por um artista de Bizâncio, é conservado na Galeria Tretiakov. Essa catedral era o lugar onde os Czares eram coroados e também onde eram enterrados os patriarcas e metropolitas da igreja ortodoxa russa. A riqueza desse edifício religioso era tão impressionante que em 1812 os franceses dela retiraram 288 quilos de ouro e cinco toneladas de prata. Com a prata recuperada após a retirada das tropas de Napoleão fundiu-se a lâmpada central da catedral.

Nota:
Iconostásio - espécie de biombo que nos templos de tradição bizantina isolava o presbitério e o altar do resto da nave, comunicando essas zonas do templo através de uma ou varias portas. Decorado com pinturas e imagens.

Querem saber como me senti ali, no centro da Praça da das Catedrais?
Estonteada. Não sabia pra onde olhar nem por onde começar. Se não fosse a guia, tinha ficado ali parada, boquiaberta, olhando para cima e para baixo, pois o conjunto de cúpulas e fachadas é assombroso. Mas Irina não perdeu tempo. Entrava numa catedral, dava uma volta rápida indicando as obras mais importantes, saía, fazia o mesmo na seguinte, até percorrermos todas.
No final, nos concedeu algum tempo para fotos, que por sinal, ficaram excelentes. Não me deu tempo, porém, para escrever minhas notas. Precisei do apoio de um guia de Moscou para completa-las pois quando a visita terminou e voltamos para o hotel não consegui me lembrar dos detalhes.

Em seguida, passeamos pelos jardins internos, bem tratados e com muitas flores, tomando fôlego para a visita à Câmara das Armas, onde está instalado um dos mais importantes museus da Rússia.
Essa fabulosa coleção de armas e tesouros oferece uma visão fascinante da imensa riqueza e do poder que a aristocracia russa desfrutou através dos séculos.
Os grandes príncipes de Moscou começaram a guardar seus objetos de valor nas adegas do Kremlin no sec. XIV, mas quando faltou espaço foi construído um edifício de pedra entre as catedrais da fortaleza e a primeira exibição pública se deu em 1806. A atual Câmara das Armas foi construída sob as ordens do Czar Nicolau I entre 1844 e 1851 com o objetivo de ser um museu. Aí os visitantes vão encontrar tronos, coroas, carruagens, objetos que pertenciam às igrejas, peças de vestuário, os fascinantes ovos Fabergé e as maiores joias do mundo.
Uma das coleções mais lindas é a de armas. Os armeiros russos criaram verdadeiras obras de arte.
Como o tempo para essa visita era limitado, nossa guia percorreu conosco o andar térreo apontando os itens mais significativos. Destaque para o Trono de Diamantes, o vestido de noiva de Catarina, a Grande e os ovos Fabergé, que me encantaram. Esse famoso joalheiro escondia nas peças complexas miniaturas.
Em seguida, passamos ao segundo andar, onde se encontra o Fundo de Diamantes. Entramos sozinhos nos dois salões que o compõem, pois os guias não podem acompanhar os turistas. Recebemos um folheto com a relação das joias expostas, mas sentimos falta de uma pessoa para dar explicações mais detalhadas.
Como o nome sugere muitas das peças expostas são diamantes, brutos e lapidados; pedras preciosas e semipreciosas, três barras de ouro e uma coleção de objetos de platina. Também estão aí as insígnias dos czares usadas oficialmente até o final do Império Russo, a Grande Coroa do Imperador com cinco mil diamantes, datada de 1762, assim como um cetro, datado da década de 1770, no qual está incrustrado o famoso Diamante Orloff, de 189,6 quilates. Retirado de um templo indiano, foi um dos inúmeros presentes oferecidos à Catarina, a Grande, por seu amante Conde Gregório Orlov. Ainda exposta outra pedra única, com peso de 88,7 quilates, o chamado Diamante Xá: esta gema, pertencente aos Xás da Pérsia no século XVIII, foi oferecida ao Czar Nicolau I em 1829. O Xá pretendeu reparar dessa forma o assassinato, em Teerã, do embaixador russo e renomado compositor Alexander Griboiedov.
Mais vitrines com joias: tiaras, brincos, pulseiras, alfinetes com diamantes, broches, joias que pertenceram aos czares, czarinas e membros da corte. Fiquei aturdida com tanta riqueza. Precisava de mais tempo para absorver, mas já era quase hora de encerrar o expediente do Kremlin. Nos encaminhamos para a saída, mas ainda pudemos tirar algumas fotos, incomparáveis, na luz difusa desse belo final de tarde.

Kremlin
Saindo do Kremlin

Ficamos bastante cansados pois andamos muito e fez um calor inesperado. Gostaria de ter feito essa visita tão importante com mais calma. Aconselho a quem for a Moscou reservar pelo menos um dia inteiro para o Kremlin.

Jantar – num restaurante próximo ao hotel.
Ambiente simples, mas decoração e comida tipicamente russas. Pedimos de entrada blinis com caviar e tomamos vodca. Depois, eu frango à Kiev e Cardoso, como despedida, estrogonofe. Só pra variar...
Gostamos muito desse restaurante. Pena que não encontrei o nome e que a foto tirada pelo garçom não ficou boa.

29/08 – 2ª feira Saída do hotel às 10 horas para ida ao aeroporto. Quatro horas antes. Achei que era tempo demais, mas a Irina nos explicou que o aeroporto é afastado do centro de Moscou e a Air France exige três horas de antecedência.
Nossa acompanhante para o aeroporto chama-se Dasha e nos levou até o balcão do check-in. Foi ótimo, pois deu todas as informações para o atendente em russo, o que facilitou.
Dasha fala bem inglês e no caminho foi nos explicando várias coisas referentes aos lugares por onde passávamos e também informações gerais.
Mostrou-nos o shopping center mais moderno da cidade, Galeria, com lojas como Zara, e Gap, e explicou que tem lojas de bom padrão, mas não de grife. É um shopping para os moradores da cidade.
Mostrou-nos, também, alguns conjuntos residenciais na periferia. Um de chineses e explicou que as famílias russas não querem morar lá, não gostam dos chineses, que estão vindo em grande número para a Rússia.
Moscou – mais de 10 milhões de habitantes. Problemas sérios de engarrafamentos, apesar do metrô, que cobre toda a cidade. Na parte de mais movimento, trens a cada minuto.
O povo vive nos subúrbios e trabalha no centro. Deixam os carros em estacionamentos e pegam o trem para chegar aos escritórios. Engarrafamentos enormes o tempo todo.
Uma ring road em volta de toda a cidade, com lojas internacionais: IKEA – loja finlandesa, Marks&Spencer – inglesa, todas as principais lojas europeias.
As roupas são mais caras do que em outros países da Europa e o povo não tem condições de comprar nas grifes. Vestem-se com simplicidade.

Aeroporto Internacional Domodedovo – Foi construído em 1964 e reformado há 3 ou 4 anos.
Moderno, limpeza impecável, pisos de mármore encerados, brilhando. Lojas de suvenires, restaurantes, coffee shops. Free Shopping. Fiquei agradavelmente surpreendida.

Hoje, quando escrevo sobre essa cidade incrível, diferente de todas as outras onde estive, me sinto realizada por ter conseguido visita-la. Sonho antigo, tantas vezes adiado. Não importa que o tempo não tenha sido suficiente para ver tudo com mais calma, que tenha faltado passear de barco pelo Rio Moscou ou que não tenha assistido a um espetáculo no Bolshoi. Lógico, teria sido ótimo uma visita completa. Mas o que importa, estive na Praça Vermelha, admirei a Catedral de São Basílio e fiquei assombrada com as torres coloridas; entrei no Kremlin, visitei suas belíssimas catedrais, me deslumbrei com as joias dos czares e czarinas. Viajamos no metrô, conhecemos as estações mais famosas, e sozinhos conseguimos chegar ao Museu Tretiakov onde nos encantamos com os ícones; fizemos um tour pela cidade e jantamos num restaurante típico. Enfim, eu, idade 75, e meu marido 83, um tanto ou quanto temerosos, atravessamos meia Europa a fim de realizar meu sonho. E aconselho a quem for à Rússia visitar Moscou.

Nota:
A H.Stern acaba de inaugurar sua segunda butique na capital russa, situada no histórico Shopping GUM. O imponente centro comercial, que abriga lojas das principais grifes internacionais, localiza-se no coração de Moscou e constitui um dos quatro lados da famosa Red Square (completado pelo Kremlin, pelo Museu Histórico Nacional e pela Catedral de St. Basílio).

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