Quarta-Feira, 18 de Outubro de 2017

Londres

Ponte sobre o Tâmisa - ao fundo London Eye

Ponte sobre o Tâmisa - ao fundo London Eye

Londres 2009

Saída – 23/08
Volta – 03/09

23/08 – domingo – partida do Rio
24/08 – 2ª feira – chegada em Londres
25/09 – 3ª feira – Canary Wharf
26/09 – 4ª feira – National Portrait Gallery
27/09 – 5ª feira – Kensington High St. / Concerto Royal Philarmonic Orchestra em Canary Wharf
28/09 – 6ª feira – Exposição Royal Academy of Arts
29/09 – sábado – Borough Market / Concerto St. Martin in the Fields
30/08 – domingo – missa no Brompton Oratory / peça no Globe Theater
31/08 – 2ª feira – concerto Cadogan Hall / compras em King’s Road
01/09 – 3ª feira – ida a Bath
02/09 – 4ª feira – compras
03/09 – 5ª feira – mais compras – volta ao Rio

Nesta viagem de retorno a Londres, consegui fazer tudo que não havia conseguido no ano passado. Me realizei!

24/08 - 2ª feira

Uma agradável surpresa, logo de chegada. Comigo, acho que foi a primeira vez que aconteceu.

Quando o comandante do avião, ele próprio, avisou que ia iniciar os procedimentos para a descida, olhei pela janela e só vi nuvens. Brancas, é verdade, não cinzentas, nem pesadas. Mas um mar de nuvens. Olhei novamente, passado um tempinho, e surpresa! As nuvens tinham ficado para cima e podia-se ver tudo lá embaixo. Estávamos sobrevoando campos, verdes, tratados. Logo depois o rio, ondulando. Largo, algumas embarcações. "The Thames, of course." Vibrei com esse presente que Londres nos deu logo na chegada.

Como estávamos com pouca bagagem, resolvemos pegar o underground em vez de taxi e economizar mais de 50 libras. Quando fomos tirar as malas do carrinho, senti falta da nossa bagagem de mão. Que susto! Tudo ali: jóias, poucas, é verdade, mas ainda assim, bijuterias escolhidas a dedo para usar em Londres, câmera, mas pior do que tudo, remédios. Indispensáveis. Impossível comprá-los aqui. Lembrei-me do que tinha acontecido. Quando íamos tirar as bagagens da esteira, aproximou-se de nós um funcionário da TAM e se ofereceu para ajudar. Pegou a mala e a bolsa, colocou-as no carrinho e saímos todos empolgados com a ajuda. Tão empolgados que nos esquecemos da bagagem de mão. Voltamos correndo e, por sorte, encontramos o rapaz da TAM. Logo nos tranqüilizou. O carrinho estava lá. Acompanhei-o para resgatá-lo. Mas foi preciso passar pela segurança a fim de entrar nessa área restrita do aeroporto: tirar sapato e relógio. Ainda bem que a bolsa tinha ficado com o Cardoso. Que alívio senti quando vi o bendito carrinho são e salvo!

A viagem de trem foi muito agradável, quase toda pela superfície, passando pela zona rural e por bairros residenciais. Me deu logo vontade de passear pelos arredores de Londres.

Nossa estação, Gloucester Road, fica na linha do aeroporto e entrar e sair do trem não apresentou a menor dificuldade, mas tínhamos esquecido de que é preciso subir uma escada para pegar o elevador que leva ao saguão da estação. Felizmente apareceu um rapaz que nos ajudou e levou a mala mais pesada.

Jantar - fish and chips, sempre, na primeira ida a restaurante, para não fugir à tradição. O pub mais próximo estava cheíssimo e ainda gente esperando para sentar. Jantamos no The Brasserie, não tão típico, mas comemos bem.

25/08 – 3ª feira
Embora eu tivesse feito planos de não tomar café da manhã no Paul desta vez, no ano passado foi um dos motivos de eu ter engordado, não resistimos. Pensamos assim: é a nossa primeira manhã, ainda não fomos fazer compras no supermercado, não temos nada no studio. Estava tão bom como nos lembrávamos. E tão engordativo: almandes croissants e caffe latte large, que na verdade é uma xícara enorme. Mas tão saboroso... Em todo o caso, pra contrabalançar, andamos à beça o dia inteiro.
Começamos fazendo o que ficou faltando na última vez. Fomos a Canary Wharf, onde tínhamos estado em 1997. Essa moderníssima parte de Londres, que vimos ainda surgindo, está um espetáculo. Fiquei estupefata com os prédios, altos e arrojados, com os dois shopping centers, Jubilee e Canada Place, exibindo todo tipo de lojas e butiques e, mais do que tudo, com o movimento. Uma área financeira e empresarial e, também, pelo que pude constatar, residencial. O acesso é feito, principalmente, por underground e a estação, Canary Wharf, fica numa construção super moderna, arrojada, movimentadíssima: homens e mulheres, na maioria jovens, apressadíssimos, subindo e descendo pelas modernas escadas rolantes e voando pelos corredores. Senti aí uma outra Londres, diferente daquela a qual estou acostumada. Ainda bem que fica às margens do rio, amenizando um pouco a selva de concreto. E ainda, no centro destes prédios altos, uma área verde, com árvores, gramados bem tratados e várias fontes. É o Jubilee Park.

Canary Wharf - Jubilee Park
Canary Wharf - Jubilee Park

Já ouvi de pessoas amigas, que estiveram recentemente em Londres, os mais desencontrados comentários. Algumas acharam um “barato”, que nem eu, e outras detestaram, dizendo que não tem nada a ver com a cidade.

Programação musical anunciada em cartazes: concerto da Royal Philarmonic Orchestra no dia 27 às 7:30 da noite. Que sorte termos visto esses avisos! Pretendemos ir.

Na ida chegamos a Canary Wharf pela DRL, recém inaugurada quando lá estivemos em 1997. Pegamos o trem próximo à estação de Tower Hill. Na volta, Jubilee Line do underground. A plataforma é, também, moderníssima, com portas que se abrem quando o trem chega e que são coordenadas com as dos vagões. Que futurista! Além disso, uma forma de evitar que alguém se atire na linha do trem. Ouvi dizer que estava acontecendo com alguma freqüência.

De lá fomos para Charing Cross Road. Cardoso queria ver as livrarias e eu queria descobrir o nome da papelaria que tanto me atraiu no ano passado. Passamos de um extremo ao outro. Nos vimos no centro da Londres minha velha conhecida, também movimentadíssima, mas um movimento diferente, bem mais à moda antiga, apesar de vermos passar vários ciclistas, com capacetes coloridos, e também pequenos carrinhos puxados por bicicletas. Estão na moda agora, não só em Londres, mas acho engraçado e me incomoda ver os rapazes pedalando. Deve ser um esforço tão grande...

Ah! encontrei a papelaria e lá comprei esse caderno onde, toda prosa, estou tomando minhas notas. É super bem sortida!
Nome da papelaria: Paperchase
441 The Strand (em frente à estação de trem Charing Cross)
Deve ser uma rede, pois vi uma filial no shopping em Canary Wharf.

As maiores livrarias de Charing Cross Road:
- Border’s
- Dillon’s
- Foyle’s – achei essa a mais bem sortida, um número enorme de “fiction books”, ocupando muitas prateleiras em volta da loja e muito bem arrumados, em ordem alfabética pelo sobrenome do autor. Aí me detive um bom tempo, degustando os títulos e com vontade de comprar vários. Mas me contive. Tínhamos levado uma mala média e não dava para acomodar. Em compensação, Cardoso encontrou aí um livro que vinha procurando há anos. Ficou todo feliz e, chegando ao studio começou logo a ler. O título desse livro é “The Piano Shop on the Left Bank” e foi uma recomendação do saudoso Artur da Távola num de seus excelentes programas sobre música na TV Senado.

26/08 – 4ª feira
Manhã doméstica – compras no Sainsbury’s e arrumação do studio. Ontem nem tivemos tempo para tirar as roupas das malas, tal era a nossa ansiedade para rever Londres. E quando chegamos à noite, estávamos mortos de cansaço.

Como ainda era verão e o tempo estava bastante razoável, resolvemos ir passear num parque. Nos decidimos por Kensington Gardens, o mais próximo, e depois Hyde Park.
Pegamos o tube para não andar muito e saltamos na estação de South Kensington para rever os dois maravilhosos museus: Natural History e Victoria&Albert. Só por fora, já conhecemos bem, embora adorasse revisitá-los. Mas o tempo é insuficiente, há tanta coisa programada...
Descemos a Exhibition Road e passamos pelo Imperial College*, uma construção antiga com um hall de entrada super moderno, recentemente acrescentado.
Quando chegamos à entrada para Kensington Gardens, o tempo já não estava tão bonito e nem o parque tão atraente, a grama meio amarelada. Já tínhamos andado bastante e resolvemos pegar um ônibus para ir até a entrada principal do Hyde Park, mas acabamos saltando antes. Nem bem entramos no parque começou a chover, interrompendo nosso tão planejado passeio.
*O Imperial College é uma das mais importantes instituições científicas do país. Fez parte da University of London até 2007, quando, por ocasião do seu centenário, se tornou independente.

Visita a National Portrait Gallery
Tantas vezes estive em Londres e ainda não tinha visitado essa famosa galeria. Achei interessantíssima, uma verdadeira aula sobre a história da Inglaterra através dos retratos de seus mais importantes personagens.

Primeiro jantar no studio:
Antepasto:
queijinhos: Boursin e Rambol aux Noir
bolachinhas: Carr’s (table water)
vinho: Jacob’s Creek – Reserve – Shiraz – Vintage 2006
Divino!!!
Jantar:
lasanha de carne para mim
canelone de ricota e espinafre para o Cardoso
Tudo do Sainsbury’s. Que boa compra!

27/08 – 5ª feira
manhã – Pegamos o tube para High St. Kensington pensando em comprar um agasalho para mim e comida no Marks and Spencer. Lembrei-me que gostávamos muito da comida dessa loja de departamentos, que tem um excelente Food Hall. Lembrei-me até do que comprávamos: frango à Kiev e sopas bem caseiras. Essa filial é bem menos cheia do que a da Oxford St.
Antes fomos dar uma volta por High St. Kensington e chegamos até a entrada dos Gardens. No ano passado, nem sei por que, não passamos por essa rua, uma de minhas favoritas. O comércio é excelente, aí estão algumas das tradicionais lojas inglesas, como Laura Ashley e Miss Selfridges, a filial jovem da famosa loja de departamentos, e, também, filiais das melhores marcas americanas e européias: Gap, Next, Urban Outfitters, American Apparel, Monsoon, MAC Cosmetics, Zara, L’Occitane e várias outras.
Entramos numa loja de produtos eletrônicos, muito bem sortida, e compramos os fones de ouvido para o Ipod do nosso neto. Outra atração é a Barkers Arcade, uma construção em estilo Art Nouveau. Entrando na galeria, butiques onde se podem encontrar roupas de grifes inglesas exclusivas, como a badalada Jaeger. No lado externo, um achado para quem é fã de produtos orgânicos – o Whole Foods Market. Quando o orgânico não é possível, a ênfase é em alimentos produzidos na região que sejam frescos, integrais e saudáveis. Quando passamos pela porta, um rapaz fazia uma escandalosa demonstração de um multiprocessador, atirando dentro frutas e legumes. Cercado de gente, distribuía copinhos com a mistura obtida. Engraçado é que todos pareciam ansiosos para experimentar. Menos eu… 
Embora Oxford Street continue sendo a mais importante das ruas londrinas para se fazer compras, para quem quiser evitar as multidões que lá se concentram, Kensington High St oferece uma atmosfera bem mais relaxante. Aconselho quem for a Londres, onde quer que esteja hospedado, pegar o underground e ir até lá.
Depois de percorrer lojas, Arcada e mercado, entramos na Igreja St. Mary Abbots, que eu não conhecia. Achei o interior, meio na penumbra, muito aconchegante e senti uma atmosfera de religiosidade. Logo acendi minhas velinhas. A igreja tem janelas de vitrais coloridos e, ao lado do altar, uma bela escultura de São José, puxando o cavalo com a Virgem sentada e o Menino Jesus no colo. Saímos pela porta lateral e passamos por um gracioso jardim que faz parte do terreno da igreja.
Estava tão agradável que nos demoramos mais do que pretendíamos, olhando o comércio, também ótimo, de Church Kensington Street. Cardoso simpatizou com um pub, quase em frente à igreja, e aí almoçamos: comida bem saborosa. Tomei uma Guiness para matar as saudades de Dublin.
Nome do pub: Prince of Wales.

No final da tarde fomos para Canary Wharf assistir ao concerto da Royal Philarmonic Orchestra, na Canada Square. O palco estava montado na concha acústica e a maioria dos ouvintes sentados na grama. Muitos tinham levado comida e bebida, principalmente vinho. Felizmente conseguimos nos sentar num banco ao lado do gramado, mas fiquei com inveja dos que faziam piquenique. De cada lado do palco tinha sido instalado um telão para facilitar a visão de quem estava longe, como nós.
Repertório bem apropriado para o local e a audiência, com peças clássicas favoritas, vibrantes. Para iniciar, As Bodas de Fígaro, de Mozart. Em seguida, algumas árias mais populares das óperas Carmen e Traviata, interpretadas por uma ótima soprano, Deborah Norman. A sempre apreciada valsa Danúbio Azul não podia faltar. Também de Strauss, a Viúva Alegre. Antes de cada música o maestro vinha anunciar e dar explicações e a audiência aplaudia calorosamente no final. Um show!!!
Infelizmente, estava muito frio e ventoso e tive receio de pegarmos uma gripe. Saímos um pouco antes do final. Valeu à pena porque pegamos o trem vazio e não ficamos gripados. Aleluia!!!

28/08 – 6ª feira
Impossível numa estadia em Londres não passar por Piccadilly Circus. Pode ser brega, um tanto ou quanto tumultuado, pois está sempre envolvido por turistas, mas é um landmark da cidade. E eu gosto de ver o Eros. Cardoso também faz sempre questão de passar por aí. Aliás, era mesmo a estação onde tínhamos de descer do trem. Queríamos ir à Royal Academy of Arts ver a exposição do pintor J. W. Waterhouse, um dos Pré-Rafaelitas.
O pátio na frente da Burlington House, sede da famosa Academia, uma das poucas mansões do sec. XVIII que sobrevivem nessa parte de Londres, o muito falado West End, está sempre cheio de gente, esperando para entrar nas salas onde se realizam as exposições, ou simplesmente passando por Piccadilly. Desta vez, sendo verão, embora sem calor, havia muitas crianças pulando nas pequenas fontes, e muitos turistas fotografando.
A exposição – Três salas exibindo várias telas de Waterhouse em três diferentes períodos. Na entrada, um painel explicativo com dados sobre a vida e a obra do artista naquele período. Muito didático.
Quando íamos entrar na primeira sala, uma das recepcionistas nos ofereceu um fone para acompanhar a exposição. Normalmente não aceito esses fones, mas ela nos garantiu: “it makes a difference”. Estava certa. Os quadros de Waterhouse apresentam motivos de personagens da mitologia, dos poemas de Ovídio, Homero e de importantes poetas ingleses. Ouvindo as explicações, observei melhor os detalhes e aproveitei muito mais. Embora Waterhouse não seja um dos meus pintores preferidos, gostei imensamente da exposição. Quadro que mais me atraiu, aliás considerado o mais importante do pintor: The Lady of Shalott, representando a heroína do famoso poema de Tennyson.

Saindo da exposição, atravessamos a rua e entramos na Burlington Arcades, ao lado. Primeira loja: uma atraente confeitaria, com atraentes coloridos macarrones na vitrine. Não resisti. Entramos e compramos um de cada cor: verde/pistache, marrom/café, vermelho/cereja, e outros mais. Difícil dizer qual o melhor.
Atravessamos a galeria admirando sua própria arquitetura e as vitrines, of course, e na saída viramos à esquerda e entramos em Bond Street. Foi aí que me perdi na vez anterior e fiquei furiosa.
Achei que era grande conhecedora do centro de Londres e entrei pelo cano. Dessa vez, levamos um mapa, just in case, e nos demos bem.
Palmilhamos Old and New Bond Street. Mais vitrines sedutoras: as mais famosas butiques e joalherias. Quanta coisa bonita em exposição! Mas só pra olhar... É tudo absurdamente caro nas lojas de Bond St.!!!
Chegamos até Oxford St. sempre cheia de gente, locais poucos, turistas muitos e muçulmanos, principalmente mulheres, portando túnicas e turbantes, mas sempre carregando sacolas de compras.
Tumultuado demais para nosso gosto. Decidimos voltar para o studio.

à noite – compras no Sainsbury’s
À tarde o tempo estava bem razoável, mas à noite, chuvoso e frio. 

29/08 – sábado
Nossos planos eram, principalmente, ir ao Borough Market, que estava atravessado na garganta desde a viagem do ano passado, quando lá tentamos ir e não conseguimos. A estratégia para chegar lá desta vez foi diferente. Seguimos as dicas de nossa agente de turismo: pegar um barco na Tate Britain e ir até a Tate Modern. De lá ir andando até Borough Market, não muito distante.
Minha filha já tinha nos recomendado pegar esse barco. Nem sei por que esta ligação, tão conveniente, não é mais divulgada. São 20 minutos de viagem pelo Thames. Facílimo! Prático e agradável!
Para chegar à Tate Britain, a estação de underground mais próxima é Pimlico. Nem tão próxima assim, uma boa caminhada, mas passamos por um jardim bonito, com uma fonte no centro e um verde gramado. Em volta prédios tipicamente londrinos, muito elegantes. Fui depois pesquisar e descobri que são os Bessborough Gardens. Imagino que sejam residências de alto nível e descobri que num dos prédios funciona a embaixada da Lituânia. Tiramos uma foto dessa fonte e meu neto ficou encantado com esse lugar.
Continuamos nossa caminhada até a beira do rio e chegamos ao Millbank Píer, onde se pega o barco. Enquanto aguardávamos, fotografamos, também, alguns dos landmarks londrinos: uma ponte sobre o Thames, a Lambeth Bridge, as Casas do Parlamento, e agora, presente sempre, a London Eye. Adorei essa foto! Foi uma moça alemã que tirou de nós.

O barco seguindo pelo rio e eu procurando identificar os pontos no South Bank. Não perdi um. Pudera, estava de guia na mão.

Desembarcamos no Bankside Píer, bem na frente do Shakespeare Centre: bons toaletes, café e loja de livros e suvenires bem sortida. Achei de muito bom gosto e originais os objetos à venda.
Não foi nada difícil encontrar o mercado. Seguimos as indicações e as gentes que iam para lá.
Borough Market é pitoresco e divertido. Tem barracas de legumes, frutas, queijos, patês, pães caseiros, azeitonas, tudo produtos locais. Bancas, também, de comida pronta: grega, espanhola, francesa; também hot dogs e cheeseburgers, of course. Comi uma paella. O aspecto era atraente, servida de um tacho enorme, fumegante. Estava boa, não excelente, mas satisfez.
Nas bancas de queijos, patês e azeitonas os feirantes oferecem provas. É divertido experimentar!
Esse tipo de programa não faz muito o gênero do Cardoso, por isso não nos demoramos muito. Porém compramos algumas coisas pra levar para o studio.

Quem for a esse mercado não pode deixar de visitar a Southwark Cathedral. Fica bem próximo.
Essa belíssima catedral foi recentemente restaurada, mas ainda contém elementos medievais. A parte externa também foi renovada por um projeto paisagístico onde o destaque é um belo jardim, que desce até as margens do rio. Estava cheio de jovens sentados na grama, fazendo suas refeições.
Dentro, tivemos a sorte de ouvir o coro ensaiando, provavelmente para o serviço do dia seguinte. É uma catedral anglicana. 

à noite – concerto à luz de velas na Igreja St. Martin-in-the- Fields.
O programa foi maravilhoso, música barroca, que tanto apreciamos. Lugares ótimos, excelente conjunto: The Belmont Ensemble of London. A violinista principal, de vestido preto bem decotado e pele bem clara, se apresentou descalça. Original! Mas deu um show e foi muito aplaudida. Entrei em alfa e saí de lá flutuando. E que visão na saída: Trafalgar Square toda iluminada, as fontes mudando de cor.
As ruas estavam cheias de gente, pubs e bares animados e barulhentos. A freqüência era jovem e voltamos logo para nosso cantinho no studio.

Dica importantíssima:
Como nossa prioridade era ir a concertos, para fazer jus às aulas de música que temos freqüentado, desta vez não bobeamos e compramos as entradas para dois concertos e uma peça de Shakespeare no Globe antes, on line. Foi perfeito! Só trocar o que imprimimos do computador pelos tíquetes antes do espetáculo.

30/08 – domingo
Numa das primeiras vezes que fui a Londres, a Barbara me recomendou assistir a uma missa no Brompton Oratory, relativamente perto do studio. A pé, cerca de 15 minutos. De underground, uma estação. Fomos e gostamos muito. Dessa vez, quis ir novamente.
A missa é às 11 horas e cantada em latim. O interior do Oratório é suntuoso, um belo monumento do final do século XIX. Sempre foi famoso por sua esplêndida tradição musical.
A igreja estava quase cheia e os fiéis participavam com muita devoção. Do meu lado, um senhor muito velhinho acompanhava a missa e cantava os hinos de cor. Quando a cerimônia terminou, várias pessoas foram até próximo do altar acender velinhas. Fui também e aproveitamos para dar uma volta pela igreja toda admirando as obras de arte.

“O oratório em estilo italiano é um monumento belo da renovação católica do fim do século 19. A igreja foi inaugurada em 1884, a fachada e a cúpula acrescentadas em 1890 e o interior decorado progressivamente. Os tesouros mais importantes antecedem a igreja - muitos foram comprados de igrejas na Itália: as grandes figuras de mármore dos 12 apóstolos, o elaborado altar de Nossa Senhora e o altar do sec. XVIII na capela de St Wilfrid.”

Estávamos próximos da Harrods e fomos até lá. Estava aberta. Passear pela Harrods equivale a assistir a um show. A decoração é bastante extravagante, com muito dourado, os artigos expostos de alto luxo. Os atendentes usam chapéu de palheta e as demonstradoras de perfumes e produtos de beleza são super chiques, fazendo jus ao que oferecem. Experimentei um perfume da Lancôme, Hypnôse Senses, em lançamento. A moça chique tentou convencer o Cardoso a comprar. Fiz pose, deixei ela me perfumar, e só. Foi bom porque fiquei conhecendo e na volta comprei no Free Shopping para a minha neta, que adorou. 
Para mim, o setor mais accessível é o Food Hall. Tem produtos finíssimos e caríssimos, mas também embalagens pequenas, muito práticas para presentear. Comprei latinhas de chá e vidros pequenos de geléia.

final de tarde – 18:30, para ser mais exato.
Assistir a uma peça de Shakespeare, no Globe.
A peça: Troilus and Cressida.
Não conhecia. Comprei no dia anterior, na lojinha do Shakespeare Center, quando lá estivemos, um livro com resumos de todas as peças e li essa algumas vezes para poder entender na hora.
Chegamos bem antes para trocar nossas entradas. Tomamos um café no Center e ficamos por ali, apreciando a vista do rio e observando o público. Tinha gente de todo tipo: jovens, velhos, tipo de estrangeiro, locais também. Um senhor logo na entrada oferecia almofadas para alugar. Reparamos que todo mundo aceitava e alugamos duas.
Havíamos reservado bons lugares, com excelente visão do palco, mas pouco confortáveis, pois o assento é duro e não têm encosto. No entanto, o espetáculo foi tão bom que esqueci a dor nas contas e, pelo menos, tínhamos as almofadas para amenizar o assento. Embora não dê para entender tudo, acompanhamos bem uma vez que já conhecíamos a estória. Além disso, tem a música, os objetos cênicos e toda a movimentação no palco. Atores excelentes, figurinos adequados. Correspondeu às minhas expectativas.  Afinal de contas, esperei 12 anos para assistir a uma peça no Globe. E valeu a pena!

A peça é bastante longa. Terminou quase às 10 horas. Muitas pessoas saíram andando pela beira do rio. Nós, também, embora estivesse frio. Queríamos comer alguma coisa, mas os dois pubs estavam muito barulhentos, cheios de jovens, e os restaurantes mais próximos encerrando os trabalhos. A vista da cidade do outro lado do rio é fascinante à noite, com muitas luzes coloridas, mas o frio e o chuvisco que começou apressaram a nossa volta. Pegamos um taxi e foi uma ótima. Valeu por um city-tour noturno de Londres, os monumentos todos iluminados.
Notamos que o taxi tinha um GPS e que o motorista ia se guiando por ele. Nem foi preciso dar instruções. Nos deixou na porta do studio.

31/08 – segunda-feira
13 horas – concerto no Cadogan Hall – “Proms Chamber Music”
Também para esse concerto compramos as entradas antes, on line. 
O local onde o concerto foi realizado, Cadogan Hall, fica bem perto de Sloane Square, no coração de Chelsea. É a sala de concertos mais nova de Londres. Anteriormente, o prédio abrigava a Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e foi construído em 1907. É uma construção muito interessante, estilo igreja mesmo, com uma torre de um dos lados e coloridos vitrais. Muito amplo e confortável, abriga 900 pessoas. A acústica é excelente. É a sede da Royal Philarmonic Orchestra. Adorei conhecer esse novo espaço musical.
O programa do concerto constava, principalmente, de obras de Bach. Havia um número de um compositor inglês moderno – John Mc Cabe- parece que bastante conceituado, mas não gostei. No entanto, ele estava na platéia e foi muito aplaudido...
Para encerrar, a Bachiana Brasileira nº 5 de Villa-Lobos, interpretada por uma soprano lírica irlandesa – Ailish Tynan. No início do concerto ela tinha se apresentado no palco, toda vestida de cor de tijolo, inclusive os sapatos. Respondeu a uma pergunta da apresentadora do programa, transmitido ao vivo pela BBC, que queria saber o porquê da cor da roupa. Explicou que era uma homenagem ao Brasil, que ela imaginava um país ensolarado e alegre. Fiquei emocionada ao ouvir essa peça tão bonita, cantada em português por uma irlandesa, se esforçando ao máximo para pronunciar corretamente as palavras tão difíceis. Na saída, tentei chegar aos bastidores da sala para cumprimentá-la, mas não é permitido. Que pena! Ela merecia nossos elogios.

Almoço no bistrô da Saatchi Gallery, “Gallery Mess”,
O lugar é alinhado, os pratos super bem apresentados, a louça, as travessas, os moedores de sal e de pimenta coloridos, com design moderno, tudo me agradou. A comida em si foi boa, não excelente, porém valeu pelo lugar.
A Saatchi Gallery expõe arte contemporânea, especialmente a britânica. Mudou-se recentemente do South Bank para uma imponente mansão Georgiana do início do século XIX, ao lado de um parque arborizado, restaurada e adaptada para abrigar uma galeria de arte. Merece uma visita, embora as obras não sejam do meu gosto.
Fica em King’s Road, que nas décadas de 60 e 70 era um centro elegante de Londres, com muitas butiques de moda. Era uma das ruas que eu mais gostava nas primeiras vezes que estive em Londres mas no ano passado não estivemos aí e tinha até me esquecido. Ainda é uma rua de comércio ativo e bastante atraente.
No início da rua, em frente à Sloane Square, uma loja de departamentos enorme: Peter Jones, que é uma filial da John Lewis. Não me lembrava dessa loja aí, mas foi uma beleza encontrá-la, quebrou o galho das minhas compras domésticas. Comprei, também, a colônia da Floris, que deixei de comprar no ano passado.

01/09 - 3ª feira
Ida a Bath
Pegamos o trem em Paddington às 10:30.
Antes Margareth, nossa gerente, viu na Internet qual era a estação e os horários, o que facilitou muito.
Preço da passagem - £ 49,00 ida e volta, por pessoa. O preço é bem alto, viajar de trem na Inglaterra é muito caro, mas o trem é extremamente cômodo e bonito. Confortavelmente sentados, a gente vai admirando as paisagens passando rápido por seus olhos. É um “fast train”, as distâncias percorridas com rapidez.

Primeira parada – Reading
Foi nessa cidade que há 29 anos fiz um curso de Didática na universidade. Estava ansiosa para revê-la, mas pouco se vê do trem. Primeiro um edifício alto e moderno, telhado triangular com uma agulha no topo, parece até uma torre de igreja futurista. Não existia. Vários outros edifícios, também modernos. Não existiam. Vislumbrei o parque, com os canteiros floridos. Nele íamos passear. Só que sem flores, era inverno e estava tudo gelado.
Sentimental rever, ainda que tão fugazmente, Reading. Voltei a Inglaterra tantas vezes, porém nenhuma a esta cidade.
Deixando o centro, a zona industrial. Continuando, os tão decantados campos ingleses: o colorido das plantações, mais marrom dourado do que verde, nesse final de verão; criações, poucas: de carneiros e cavalos.

Próximas estações:
Didcot, Swindon (estação muito chique, novamente prédios modernos), Chippenham (cidade pequena, construções mais antigas, de tijolo marrom, típicas de bairros mais simples) e finalmente Bath Spa.
Fiquei surpresa com o “Spa”, mas logo me lembrei que Bath é uma estação de águas. Aliás, desde o tempo dos romanos.

Na estação mesmo, entramos no Tourist Office e compramos tíquetes para o “Bath Sightseeing” nos “hop on-hop off”, ônibus de dois andares.
Quando começamos o tour, o tempo estava bom e fomos para o andar de cima, de onde se tem uma visão muito mais ampla. A guia apontava as atrações, dando explicações num inglês bem claro, à medida que o ônibus percorria as ruas principais do centro. Não saltamos logo, apenas apreciamos. Embora tivesse ido a Bath há mais de vinte anos, me lembrava de várias atrações e quando a primeira apontou, o Royal Crescent, descemos rápido as escadas para saltar.
The Royal Crescent, uma rua residencial de 30 casas dispostas em forma de crescente, é uma obra prima da arquitetura georgiana. Designed by the architect John Wood the Younger and built between 1767 and 1774, it is among the greatest examples of Georgian architecture to be found in the United Kingdom and is a grade I listed building . [ 1 ] Foi projetado pelo arquiteto John Wood e construído entre 1767 e 1774. Os prédios  têm sido residência de várias pessoas notáveis por mais de 200 anos. Alterações foram feitas no interior, porém a fachada continua como era quando foi construído. The Royal Crescent now include a hotel and museum with some of the houses being converted into flats and offices.The Royal Crescent inclue agora um hotel e um museu e algumas das casas estão sendo convertidas em apartamentos e escritórios. The buildings have been used as a location for several films and television programmes. Os edifícios têm sido usados como local para vários filmes e programas de televisão.
Um belo gramado bem verde, na frente do crescente, desce até um lindo jardim, com canteiros de flores coloridas. Magnífico lugar para se passear e tirar fotos, ainda mais naquele momento, pois ainda não chovia, mas o céu estava carregado de nuvens cinza, decorativas. Ainda mais pra mim, que adoro nuvens.
Esse jardim faz parte do Royal Victoria Park.

Pegamos outro ônibus e passamos pela casa onde morou Jane Austen, hoje um museu. Na porta uma réplica de uma de suas personagens. Tive vontade de visitar o museu, mas tínhamos ainda muito que ver.

Saltamos foi para visitar o Roman Baths, outra atração de que me recordava.
Esse complexo é um local bem preservado onde funcionavam os banhos públicos na época dos romanos. Atualmente é um parque temático, tipo Disney. O visitante vai percorrendo as salas, onde estão exibidas as etapas das escavações arqueológicas que foram feitas, os encanamentos das fontes de água quente que fornecem água para os banhos, tudo ilustrado com projeções e acompanhado de explicações (usa-se um fone) até que no final se chega aos banhos. Interessante, mas um pouco Disney demais para o meu gosto. Quando lá estive em 1980 não havia nada disso.

Saindo daí, entramos na Abadia. Em seguida, fomos procurar um lugar para almoçar. Passamos pelas ruas centrais, movimentadíssimas, mas extremamente agradáveis. Bath é uma cidade bem preservada, não tem construções modernas. É considerada Patrimônio da Humanidade.
Depois do almoço, fizemos o restante do tour. Nos instalamos novamente no andar de cima. Dessa vez, por pouco tempo. Começou a ventar e chover e descemos correndo. Que pena! A chuva foi passageira, mas impediu que melhor apreciássemos esse trajeto pela parte mais alta de Bath, por ruas ladeadas de árvores frondosas. Aliás, a guia logo alertou os passageiros que permaneceram em cima a ter cuidado com a cabeça. Os ramos passam raspando. Ainda bem que descemos...
Passamos pela Universidade de Bath e voltamos ao centro da cidade. Mais jardins floridos, esses nas margens do rio Avon, que nesse trecho corre tranqüilo, mas logo adiante se apresenta em degraus, por sinal decorativos. Uma pequena represa?
Um local encantador é a Pulteney Bridge, sobre o Avon, feita à semelhança da Ponte Vecchio de Florença, com lojas de ambos os lados.
Talvez essa fosse a lembrança mais nítida que eu tinha de Bath – o rio espelhado, que reflete as árvores do jardim, e a romântica pontezinha. Além dos barcos compridos e coloridos atracados ao longo do cais.

Ponte sobre o Avon (Bath)
Ponte sobre o Avon (Bath)

Pensávamos em tomar um chá, os chás nas cidades do interior são caprichados, mas que decepção! As casas de chá estavam todas fechando, embora ainda nem fossem seis horas. Abertos, só os restaurantes, já iniciando o serviço de jantar. Até atraentes, mas não era o que nos apetecia naquela hora. Nem queríamos demorar muito mais. Estava mesmo na hora de voltarmos para Londres.

Bath é um encanto e foi pena não termos planejado para passar a noite. Gostaria de ter sentado numa mesinha ao ar livre e aproveitar a “happy hour” tomando um drinque. Depois, jantar num bom restaurante e dormir num Bed&Breakfast. Logo depois do breakfast, pegar o trem de volta para os preparativos de véspera de viagem.

02/09 – 4ª feira
Véspera de viagem: arrumar as malas e fazer as últimas compras. Na High Street Kensington.

Final de tarde – exposição “De Corot a Monet” na National Gallery. Quando saímos, estava começando a chover.

Apresentação do novo livro da Margareth Atwood na St. James Church em Piccadilly.
Apesar da chuva e de ser véspera de viagem, fiz questão de ir pois sou grande admiradora dessa escritora. Mas foi uma decepção. Estava muito concorrido, no entanto faltava organização. Não conseguimos lugar na nave. Tivemos que subir e ficamos muito mal acomodados. Além do mais, a apresentação foi amadorística. Consistia numa dramatização da história do livro, The Year of the Flood, e Margareth Atwood era a narradora. Tudo improvisado. Nem me motivou a comprar o livro.

Jantar no Ask, restaurante dentro da Gloucester Arcade, bem próximo do studio. Embora tão próximo de nossa “casa”, ainda não tínhamos ido lá. Valeu a pena! Comi mushrooms recheados e Cardoso uma massa. A pizza também parecia ótima. Pena que só descobrimos no último dia.

03/09 – 5ª feira
Compras, compras e mais compras. Só lembranças de Londres para filho e netos: na loja de souvenires do Correio de Gloucester Road e de Brompton Road, perto da Harrods. Ainda demos um pulo na Foyles para o Cardoso comprar uns CDs e na Blackwell’s para eu comprar book bags para minhas amigas.
Almoço no Café Montpeliano em Knightsbridge.
Comemos muito bem.
Eu: caneloni de mushroom, gorgonzola and cream. Delicious!!!
Cardoso: lasanha de carne – de acordo com ele, muito boa.
Vale a pena anotar esse Café.
Voltamos para terminar as arrumações e nos aprontarmos para a viagem.

Margareth tratou o taxi para nós. Veio nos pegar às seis horas, pois da TAM avisaram pra chegar ao aeroporto 3 horas antes do vôo. Estranhamos mas obedecemos. Cedo demais!
O terminal do nosso vôo, o quatro, está em obras e a rua das lojas e cafés bastante desfalcada. Não havia poltronas confortáveis e ficamos cansados de tanto esperar. Depois, também, a conexão em São Paulo foi super cansativa. Tivemos que descer do avião pela escada, pelo jeito não havia túnel disponível, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, que absurdo! e ainda esperamos 3 horas pelo vôo para o Rio. Oh viagem braba!!! TAM com conexão em São Paulo, nunca mais...
Felizmente tudo correu às mil maravilhas durante o resto da viagem e esse finalzinho ficou logo esquecido.

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