Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Cruzeiro pela Ilhas Britânicas

Loch Ness

Loch Ness

7º porto – Invergordon

26/08/2008 –3ª feira

Do guia diário do Princess:
Em 1933, um jornalista de Inverness assaz empreendedor recuperou um jornal local de baixa tiragem com a estória de uma antiga aparição no Loch Ness. A lenda rapidamente se difundiu e hoje, 70 anos depois, muita gente ainda perscruta as águas escuras do lago na esperança de divisar Nessie, apelido carinhoso do “Loch Ness Monster”.
Benvindo a Invergordon, sua porta de entrada para o Loch Ness, Inverness, e para essa área das Highlands conhecida como “Great Glen”.
Os Glens inspiraram muitos contos e lendas, incluindo as tragédias de Shakespeare: em Macbeth, o ambicioso general usurpa o trono da Escócia após assassinar o Rei Duncan no Castelo de  Cawdor. Shakespeare sempre tomava algumas liberdades em relação a fatos históricos; o assassinato de Duncan aconteceu realmente no Castelo de Inverness e o Macbeth real nasceu 400 anos antes de o Castelo de Cawdor ter sido construído.

Motivada pela lenda e pela menção a essa tragédia shakespeariana, uma de minhas favoritas, e além de tudo conhecendo a fama da beleza natural das Terras Altas da Escócia, não via a hora de começar nosso tour. Dessa vez nos decidimos por uma das excursões do navio, pois atendia a todas as nossas exigências. Acertamos. Ônibus super confortável, guia muito eficiente, trajeto muito bem planejado.
Durante o trajeto, o guia nos deu informações sobre a Escócia e, particularmente, sobre essa região:
- o porto de Invergordon é um dos primeiros ancoradouros naturais do mundo.
- o Mar do Norte é um barômetro do mundo nos preços do petróleo.
Quando consideráveis depósitos de petróleo foram descobertos no Mar do Norte na metade do   século XX, Aberdeen tornou-se a “capital do petróleo”.
- a população da Escócia é de 5 milhões de habitantes e um número pequeno vive nas Highlands.
- o whisky é a bebida nacional da Escócia. Existem entre 50 e 60 pequenas destilarias nessa região. Cada uma tem sua própria maneira de fazer whisky: escolhendo, secando e amadurecendo o malte.
Blend whisky – uma combinação de maltes.
Como sou fã dessa bebida, fiquei super interessada e com vontade de visitar algumas dessas destilarias menores. Mas essa visita não estava incluída no tour...
- clima:
Na costa oeste, não faz tanto frio no inverno por causa das correntes quentes do Golfo do México, mas nas montanhas o frio é intenso.
- traje típico:
O kilt surgiu no século XVI, no norte da Escócia. Cada clã ou família tinha um tipo de quadriculado e cores no kilt, que identificavam os seus integrantes.
- curiosidades:
Monstro de Loch Ness
Há séculos os habitantes da região dizem que um monstro pré-histórico vive no fundo desse lago. Muitas expedições foram feitas no local e até hoje nada foi encontrado.
St Columba
O santo mais famoso associado à Escócia era na realidade um santo irlandês. Foi para a Escócia promover a paz entre os povos que lá habitavam.
- idioma:
Na Escócia falam-se três línguas: o inglês da Escócia, o Scots (que por vezes não é considerado como um idioma separado) e o gaélico escocês. O gaélico é pouco usado, mas agora está sendo recuperado e é ensinado nas escolas. O escocês fala inglês com forte sotaque e às vezes é difícil entendê-lo.

Castelo de Cawdor
Castelo de Cawdor

Primeira parada – visita ao Castelo de Cawdor e jardins
Esse castelo, construído em 1454, é avaliado como uma das mais belas construções medievais da Escócia. A família dos proprietários ainda vive em parte do castelo e disponibiliza vários cômodos para a visita de turistas.
O interior do castelo é decorado com muito bom gosto. É uma decoração eclética, em que se misturam quadros e objetos antigos e mais modernos. A estampa dos tecidos usados na forração de poltronas e sofás é, também, de extremo bom gosto. Fotos mais recentes da família estão espalhadas pelos salões, dando um toque pessoal. Me deu vontade de conhecer a Duquesa de Cawdor, atual moradora, que é viúva, checa, e protagonista de uma disputa pela herança.
Passeamos pelos jardins e ficamos encantados. Os canteiros, entremeados por extensos gramados, têm formatos diversos. Há uma grande variedade de flores, bem coloridas. Algumas reconheci, outras não, devem ser típicas da região. Um detalhe original é que nos jardins encontram-se, também, árvores frutíferas.

Jardins do Castelo de Cawdor
Jardins do Castelo de Cawdor

Pelo caminho, os campos estão cobertos de urze, em plena floração, tingindo tudo de roxo e lilás. Ao longe, se destacam as montanhas, bem altas, cerca de 1200 m. Uma bela região!

Segunda parada – almoço no Drumossie Hotel
O salão de refeições é amplo e muito bem decorado e as mesas estavam postas com capricho. Nossos companheiros de mesa eram muito educados, simpáticos e a conversa transcorreu macia.
Refeição deliciosa. Constou de três pratos:
salada – servida em pequenas tigelas
prato principal – salmão com milho assado, batatas cozidas e brócolis, acompanhado por um molho que estava muito bem temperado.
sobremesa – torta de limão e lima servida com sorvete e chantili, ainda acompanhada de um biscoito delicioso. Divina!
Não havia fila nos toaletes, que eram limpos e mesmo perfumados. Um hotel de categoria. Dava até vontade de ficar...    

Inverness - Passamos de ônibus pela cidade, tão graciosa. Que pena não houve uma parada, sempre quis conhecer. 
Inverness é a capital das Highlands. O Rio Ness cruza a cidade e numa das margens encontra-se o Castelo de Inverness, construído no século 19, na época Vitoriana, que atualmente abriga cortes de justiça e escritórios do governo. Em seguida o guia nos mostrou uma cruz celta que foi trazida para a cidade por São Columba. Esse santo nasceu na Irlanda, mas passou grande parte de sua vida nas erras altas da Escócia.
A Catedral de Inverness, construída entre 1866 e 1869, é um edifício imponente em pedra rosa com duas torres. Está localizada bem próximo do rio e cercada por gramados e árvores floridas. Aliás, essa pedra rosa é usada na maior parte das residências, o que dá uma aparência própria à cidade.

A próxima atração foi o Loch Ness, do qual tanto ouvi falar quando lecionava inglês. A história do monstro que aí habita é uma das mais exploradas. Não há quem ainda não a conheça, mas, mesmo assim, quando o ônibus se aproximou do lago todos os passageiros esticaram a cabeça para olhar. Esperando ver o Ness?
Às margens do lago se encontram as ruínas do Castelo Urqhart e houve uma parada a fim de que se pudesse visitá-las. São bastante fotogênicas! E, também, chegar bem pertinho do lago. Quem sabe o monstro dava o ar de sua graça? Pra falar a verdade, o que gostei mesmo foi da lojinha de suvenires, bem sortida de coisinhas interessantes, inclusive miniaturas do Ness.

Ruínas do Castelo Urqhart
Ruínas do Castelo Urqhart

De volta ao ônibus, passamos por estradas ladeadas de carvalhos, perfumadas, mais campos cobertos de urze, roxos, lilases (70% das Highlands, de acordo com o guia); pequenas vilas típicas, charmosas, inclusive uma chamada Beauly (quer dizer bonita); um rio ótimo para pesca de salmão; gado pastando nos campos – as vacas dessa região têm chifres bem grandes e enroscados, engraçados.

Quando se despediu, nosso guia, por sinal excelente - inglês claro, sem sotaque, informações úteis, interessantes – disse que tudo o que vimos durante esse dia tão cheio tinha sido apenas “a flavor of the Highlands” (um gostinho das Terras Altas). Esperava que voltássemos um dia para melhor conhecer essa região encantadora. Só posso dizer “So do I”.  

Em 1991, fizemos uma viagem de carro pelo interior da Inglaterra e chegamos até Edimburgo. Pouco conhecemos do interior da Escócia. Ainda não tínhamos visto as belíssimas paisagens das Terras Altas e ficamos maravilhados.

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