Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Cruzeiro pela Ilhas Britânicas

George Square  -  Glasgow

George Square - Glasgow

5º porto – Greenock

23/08/2008 – sábado

Do guia diário do Princess:
Greenock é o porto mais próximo de Glasgow, a segunda cidade mais importante da Escócia e, também, a porta de entrada para as Scottish Highlands*.
Nos últimos anos, a beleza tradicional de Glasgow vem sendo carinhosamente restaurada, revelando a mais bela cidade vitoriana no Reino Unido. Você vai ficar maravilhado com a imponente arquitetura da cidade e vai, também, encontrar lojas excelentes e com bons preços para fazer suas compras. Além disso, Glasgow abriga alguns dos melhores museus e galerias de arte da Europa.
Embora a Escócia e a Inglaterra estejam unidas desde 1707, este país conserva características próprias, inclusive sistemas educacionl e legal bem diferentes dos da Inglaterra.
Lembranças do passado celta da Escócia podem ser encontradas por todo o país, desde fortalezas antigas até poderosas pedras simbólicas e a influência celta está presente na música, poesia, linguagem e tradições.

Neste primeiro porto na Escócia, tivemos uma recepção simpática e calorosa. Dois senhores vestidos a caráter, com o famoso kilt, apertavam as mãos dos passageiros que desciam do navio e davam as boas vindas. O kilt é o saiote pregueado, parcialmente trespassado, e quadriculado em cores correspondentes a cada clã ou família. Os escoceses têm orgulho deste traje e ficam muito compenetrados quando o estão usando. Achei este respeito à tradição muito válido e senti não ter tirado uma foto com os dois escoceses, nesse nosso primeiro contato com o país.

A programação do cruzeiro British Isles inclui apenas um dia em cada porto. Tínhamos, pois, que aproveitar ao máximo o tempo. Como queríamos fazer um passeio mais longo, passando por um grande lago e visitando um castelo, e ainda ir a Glasgow, que não conhecíamos, era preciso ter tudo bem planejado. Quando estávamos organizando a viagem, nossa agente de turismo sugeriu que contratássemos um taxi no porto, fizéssemos um passeio pelo lago, visitássemos o castelo de Inveraray e fôssemos no mesmo taxi até Glasgow. Lá então ficaríamos por algumas horas. Para voltar ao porto, pegaríamos um trem. A fim de que não houvesse confusão, ela nos emprestou um mapa e nele delineou o roteiro a ser seguido. Fizemos exatamente o que nos foi sugerido e deu tudo certo.

Havia alguns taxis aguardando na saída do porto. Quando nos aproximamos do primeiro, o motorista se encaminhou para nós e perguntou onde queríamos ir. Gostamos muito do seu aspecto, mas para não termos uma surpresa desagradável no fim do passeio, perguntamos antes por quanto sairia. É um preço fixo: 30 libras por hora. Explicamos o roteiro e combinamos dele nos deixar em Glasgow na volta. Foi muito mais fácil do que pensávamos. Só tivemos dificuldade foi para entender o que ele dizia. Eta sotaque difícil o do escocês!

Durante todo o passeio, Craig, o gentil motorista, ia nos apontando os lugares mais bonitos, dando informações relevantes, se esforçando para nos agradar. E nós, que temos tanta experiência com a língua, não conseguíamos entender grande parte do que dizia. Com muito esforço e, pouco a pouco, comecei a acompanhar melhor a sua fala e, também, a me deliciar com as belíssimas paisagens da Escócia.

Craig, o motorista escocês
Craig, o motorista escocês


Primeira parada – na margem do Loch Lomond para tirarmos fotos.
O Loch Lomond é um lago (ou loch em gaélico) do oeste da Escócia, ao sul das Highlands,  situando-se aproximadamente a 23 km a norte da cidade de Glasgow. É um lago muito extenso, cujo visual nos impressionou pela beleza. As suas dimensões são aproximadamente 39 km de comprimento por 8 km de largura. Pela sua extensão, é o maior dos lochs da Grã-Bretanha, e o segundo, depois do Loch Ness, pelo seu volume.          
Às margens do lago se encontram algumas residências, em centro de terreno, cada uma num estilo diferente, com jardins floridos. O motorista nos explicou que pertencem a diferentes clãs.

residência às margens do Loch Lomond
residência às margens do Loch Lomond

Caminhamos pelo pier e nos aproximamos da água. Observei, com inveja, que um rapaz, munido de equipamento sofisticado, tirava fotos de vários ângulos. Quando o Cardoso, muito modestamente, pegou nossa modesta câmera, ele se aproximou e ofereceu para tirar nossa foto. Na verdade, tirou algumas e foram as melhores de toda a viagem (vide foto na página inicial do site).

Segunda parada – Luss (pronuncia-se loss)
É uma pequena cidade às margens do lago. Um lugar paradisíaco. O coração da vila é uma rua ladeada de chalés semelhantes, em pedra marrom, com duas chaminés, cercados de flores coloridas, muitas hortênsias – nos jardins, nos quintais, nas jardineiras. Uma construção bem característica do lugar. Descendo a rua, chega-se ao lago. Passeamos por ali, admirando as lojinhas e os salões de chá. Escolhemos um e entramos. Tomamos um chá delicioso acompanhado de uma fatia de bolo de frutas com ...whisky. Bem se vê que estávamos na Escócia. Até o bolo leva whisky! 
O salão de chá é decorado com objetos típicos e os tecidos são em xadrez. Fiz questão de ir ao toalete, todo enfeitadinho, um charme.

Essa cidadezinha já serviu como cenário de filmes e de uma novela escocesa. É lógico que nos deu vontade de voltar a Luss e passar mais tempo.

Refeitos e satisfeitos, continuamos a viagem passando por criações de carneiros. As montanhas do outro lado do lago não são muito altas e há muitos pinheiros ao longo da estrada. Essa é uma estrada secundária, de duas pistas, estreita, mas em boas condições. A viagem é relaxante.

rua principal de Luss
rua principal de Luss

3ª parada – Inveraray Castle
O Castelo de Inveraray é um exemplar notável de arquitetura, que incorpora três estilos: Barroco, Paládio e Gótico. Está situado no centro de um magnífico parque arborizado, às margens do Loch Lomond. Sua construção foi iniciada em 1746 mas, devido a vários contratempos, o castelo só ficou pronto em 1789. Desde então, é a residência oficial dos duques de Argyll. O atual duque, casado com uma descendente da dinastia dos chocolates Cadbury, aí vive com a esposa. O mobiliário e objetos encontrados no interior do castelo são representativos de muitas gerações da família, pois o duque está empenhado em oferecer aos visitantes uma visão do seu patrimônio e da forma como seus antepassados viveram.  Está aberto à visitação de abril a outubro.  

Nossa visita ao interior ficou prejudicada devido à escassez de tempo e ao grande número de turistas que lá se encontravam. No entanto, passeamos pelo parque e aproveitei para fazer umas comprinhas na bem sortida loja de suvenires. Fiquei encantada com a variedade e o bom gosto dos objetos expostos: chapéus, gravatas, peças de vestuário, echarpes, mantas, almofadas, nos padrões típicos da Escócia, basicamente xadrez; lindos cartões – ah! como gosto dos cartões ingleses, e como adorei os de lá; brinquedos infantis e humorísticos, livros e tapeçarias.  Uma verdadeira tentação!

4ª parada – Glasgow
Craig nos deixou no centro da cidade e dele nos despedimos com pena e muito agradecidos. Educado, discreto, foi um excelente guia, principalmente depois que me acostumei com seu sotaque e pude entender bem suas explicações.

Chegamos com fome e fomos logo procurar um lugar para almoçar. Não foi difícil porque havia restaurantes de todas as nacionalidades espalhados por ali, alguns bem agradáveis com mesas na calçada. Mas optamos por um no primeiro andar, atraídos pelo nome – The Horse Shoe – onde almoçamos muito em conta: £ 11.00 a refeição + £ 3.00 de gorjeta. Constou de sopa, fish and chips e sobremesa mais um pint of  beer para o Cardoso e ½ pint para mim.

Eu tinha uma idéia da cidade completamente diferente do que é. Cardoso também esperava uma cidade feia, pois quando passamos alguns dias na Escócia numa outra viagem nos disseram que não valia a pena ir a Glasgow por ser uma cidade industrial, sem atrativos. No entanto, gostamos muito e sentimos não ter tido mais tempo para conhecê-la melhor.
Não é uma cidade moderna. Os prédios são antigos e não achamos que estivessem “carinhosamente restaurados” como anunciado no Diário do Princess, mas são imponentes.
A praça central, George Square, é grande e cercada por esses prédios. Alguns apenas estão sendo recuperados. As ruas em volta são ruas de comércio. Lojas de alto padrão, internacionais – Monsoon, Footlock, Accesorize, Gap’s, L’Occitane, etc. – o mesmo comércio das cidades grandes que temos visitado, seja na Europa, seja nos Estados Unidos. Acho que estas cidades não têm mais característica própria, sem dúvida conseqüência da globalização. Mas, enfim, é um comércio de alto nível. Diferentes só os cashmeres.
Sábado, ruas cheias, todo mundo fazendo compras. Vi muitas coisas de que gostei inclusive um casaco preto matelassê. Se tivesse tido mais tempo, talvez tivesse comprado. Mas sou muito indecisa e complicada nas compras. Depois lamentei não ter comprado cashmere em Glagow. Estavam bem mais caros em Edimburgo.
A caminho da estação de trem, passamos por dois shoppings centres muito interessantes, as fachadas com arcadas, mais modernos.

Voltamos para o porto de trem, conforme programado. Uma viagem tranqüila de 40 minutos.
Perto da hora do navio partir, uma banda escocesa, todos em trajes típicos, tocando gaitas de foles e outros instrumentos característicos, entrou marchando no porto. Pararam em formação e tocaram até o navio se afastar. Pararam, então, e ficaram acenando. Antes do jantar, tomamos nosso aperitivo, desta vez Manhattan, num dos lounges, na janela, conversando com duas senhoras inglesas muito agradáveis.

*Highlands – região montanhosa ao norte da Escócia famosa por sua beleza agreste; também conhecida pelo estilo do vestuário: o kilt e o tartan (xadrez escocês), além do sistema de clãs (já em desuso).

Leia mais - 6º porto – Belfast

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