Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Cruzeiro pela Ilhas Britânicas

Prédios modernos no cais de Liverpool

Prédios modernos no cais de Liverpool

4º porto – Liverpool

22/08/2008 – 6ª feira

Do guia diário do Princess:
Pode parecer apenas mais um porto industrial arenoso, mas Liverpool reflete o esplendor e a prosperidade da Era Vitoriana como poucas outras cidades.
Os antigos romanos já conheciam o estuário do Mersey e os antigos nórdicos apreciavam as margens do rio suavemente inclinadas, onde seus navios podiam atracar facilmente. Mas só se tornou uma cidade inglesa propriamente dita em 1207, quando seu porto foi escolhido para substituir Chester. Então a modesta cidade rapidamente se desenvolveu e tornou-se o segundo porto da Inglaterra. A partir do século XVIII Liverpool explodiu e transformou-se num gigante comercial. As docas rapidamente se expandiram para que os navios vindos das Índias pudessem descarregar suas cargas preciosas: açúcar, rum, algodão e, também, escravos. Quando os pólos industriais de Lancashire e Yorkshire se transformaram em enormes centros manufatureiros, as instalações portuárias de Liverpool estavam preparadas para receber os navios que traziam a matéria prima e expedir para o mundo os produtos manufaturados. As docas e os armazéns foram modernizados para fazer frente à competição. Mercadores e donos de fábricas empregaram seus lucros substanciais em casas atraentes para moradias e imponentes edifícios públicos para a cidade de que tanto se orgulhavam. No entanto, com as mudanças que ocorreram no embarque e desembarque de carga e conforme aconteceu em todos os grandes portos do mundo, Albert Dock foi formalmente fechada em 1972 e uma nova vida surgiu nesse distrito histórico, que hoje abriga importantes museus e galerias de arte, inclusive uma filial da famosa Tate.
Liverpool é hoje, sem dúvida, um gigante comercial e manufatureiro que, no entanto, se orgulha de sua herança vitoriana e seu povo alegre e hospitaleiro.

Acredito que todo esse passado portuário glorioso seja importante para Liverpool, porém o que muito contribuiu para tornar o nome da cidade conhecido pelo mundo afora foi um grupo de quatro rapazes que obtiveram fama, popularidade e notoriedade até hoje inéditas para uma banda musical e se tornaram a banda de maior sucesso e de maior influência do século XX: os Beatles.

Quando chegamos ao convés logo cedo o navio já estava atracado no porto, bem próximo do centro. Fiquei bastante impressionada com a vista do pier: de um lado, três edifícios majestosos e do outro, prédios mais modernos, altos, envidraçados.

Esses edifícios, The Three Graces, foram planejados e construídos há cerca de um século, como símbolos visíveis do prestígio internacional de Liverpool, emblemas orgulhosos de sua façanha comercial. São o Edifício Royal Liver, o Edifício Cunard e o Edifício do Porto de Liverpool. Em primeiro plano, uma igreja antiga e ao fundo a cúpula e as torres futuristas de uma moderna catedral. Nos apressamos para desembarcar.

The Three Graces - Liverpool
The Three Graces - Liverpool

Minha prioridade era uma visita à Tate Gallery, pois quando fomos à Tate Modern em Londres tomei conhecimento de uma exposição sobre Gustav Klimt nessa filial, de cuja existência eu desconhecia, bem no período em que aportávamos em Liverpool. É lógico que também queria percorrer a cidade e visitar The Beatles Story. Não podíamos perder tempo.

Optamos por pegar um ônibus Hop On – Hop Off, admirar os prédios, as belas casas Georgianas e as igrejas e saltar apenas nos lugares que fazíamos questão de visitar. A cidade tem duas catedrais, ambas importantes por seus aspectos arquiteturais, mas a que me chamou mais atenção foi a Catedral Católica de Cristo Rei. A arquitetura dessa igreja é arrojada e super moderna, tanto por fora como por dentro. Foi inspirada nas catedrais góticas, com uma coroa em cima e escala monumental. Possui o maior painel de vitral do mundo e inúmeras obras de arte originais. Para mim a visita foi rápida demais. Gostaria de ter tido mais tempo para melhor apreciá-la. Aconselho quem for a Liverpool a destinar mais tempo para visitar essa catedral.

ao fundo, a cúpula da Catedral Católica
ao fundo, a cúpula da Catedral Católica

Pesquisando sobre os vitrais dessa catedral, encontrei referências elogiosas aos da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, assim como ao projeto arquitetônico da de Brasília. E estas estão bem mais próximas e fáceis de visitar, não é? Pois aí fica a sugestão.

Próxima visita – Albert Docks
Inaugurada em 1846 pelo Príncipe Albert foi durante muitos anos a doca mais importante e movimentada, a “janela de Liverpool para a América do Norte”. Com o passar dos anos caiu em desuso e foi finalmente desativada em 1972. Hoje, após um trabalho cuidadoso de restauração de seus amplos armazéns em tijolo vermelho, é a atração número um para os visitantes da cidade. Considerada Patrimônio Mundial, abriga o Museu Marítimo, a Tate de Liverpool e The Beatles Story, além de várias galerias de arte, cafés e restaurantes.

Após percorrer as principais ruas da cidade, aí saltamos do ônibus para minha esperada visita à exposição do Klimt. No caminho assitimos a um espetáculo bastante original – uma regata com barcos semelhantes a gôndolas cujos participantes estavam vestidos a caráter. Havia muita gente em volta do canal, principalmente jovens, e a atmosfera era vibrante, colorida.

A Tate Liverpool foi inaugurada em 1988 num grande armazém adaptado dentro da doca à beira mar. Em 1998 o edifício foi totalmente reformado a fim de ampliar o espaço da galeria. São cinco andares, dois dos quais estavam ocupados com a exposição “Gustav Klimt – Painting, Design & Modern Life in Vienna 1900”. Importantíssima, pois foi a primeira exposição da obra de Klimt apresentada na Inglaterra.

Quando entramos no primeiro salão, quedei-me extasiada. Tinha a impressão de estar entrando no Prédio da Secessão em Viena. Ali estava o Friso Beethoven, completo, causando o mesmo impacto que senti quando o vi pela primeira vez no seu local original. Fiquei aturdida!!!! Impossível tê-lo transportado. Procurei uma das guias e fiquei sabendo que esse friso aí exposto é uma réplica do Friso Beethoven criado por Klimt para a 14ª Exposição da Secessão Vienense em 1902, dedicado ao gênio do grande compositor. De acordo com a guia, esta “réplica exata” foi feita na Espanha para uma exposição na Fundación Juan March em Madri e para em seguida viajar pela Europa. Um empreendimento espetacular, sem dúvida, pois o friso, que cobre três paredes, mede 34 metros de comprimento. Para mim foi uma glória rever esta obra fascinante que tanto me cativou quando a admirei pela primeira vez em Viena e saber que este empreendimento vai dar a tanta gente a chance de apreciá-la. A exposição inclui, também, alguns dos quadros mais importantes e desenhos de todas as fases da carreira de Klimt, assim como objetos e peças de mobiliário que faziam parte da luxuosa residência do pintor.

Que sorte a minha ter estado em Liverpool naquele momento!

Restou pouco tempo depois dessa visita, mas ainda passamos por the Beatles Story. Embora não houvesse tempo para assistir a essa apresentação em multimídia sobre a vida, a época, a cultura e a música da famosa banda, entramos na loja de suvenires, ouvimos algumas músicas e sentimos um pouco o clima. Compramos, também, camisetas lindas e outras lembranças interessantes desse grupo que sempre me encantou.

Na saída, fomos surpreendidos por um forte aguaceiro, o que apressou a nossa volta ao navio.

Como nosso professor de Literatura Inglesa e grande amigo é de Liverpool, achei interessante esta citação sobre o povo de lá, que ele confirmou.

Quote:
Liverpool is a great city, its people are a unique blend of Celt and Saxon blood. Their sense of humour and sentimentality have to be experienced to be appreciated, the salt of the earth, super mates in tight corners, generous to the extreme. No one anywhere can find a reason for a party as readily as a Liverpool family; if the cat has kittens it’s down to the pub for a sing-along, and everyone has a party piece.
A J's Liverpool Childhood 1916

Informação importante que ele me deu:
Existe atualmente um “fast train” de Londres para Liverpool. O percurso é feito em 2 horas e meia.

Leia mais - Greenock

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