Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Cruzeiro pela Ilhas Britânicas

Nosso navio, o Princess

Nosso navio, o Princess

Cruzeiro pelas Ilhas Britânicas

18/08/2008 – 2ª feira

Acordamos mais cedo do que de costume pois deveríamos estar em Southampton, o porto onde iríamos embarcar para o cruzeiro, por volta do meio dia.

Eu estava preocupada por causa das malas, nem dormi bem. Nossa landlady se prontificou a chamar um taxi, e um homem para nos ajudar a descê-las. Na hora H, o tal homem, que trabalha no prédio vizinho e que nos salvou na chegada, não apareceu. Problema: como descer as malas pesadas? Resolvido da seguinte maneira: Margareth, a landlady, que por sinal é brasileira, auxiliada pela arrumadeira polonesa, bonitinha, lourinha, graciosa, mas forte, puxaram as malas escada abaixo e colocaram no taxi.

Na ida para a estação ainda passamos por Westminster, atravessamos a ponte e vimos a roda gigante. Quase quebrei o pescoço pra não perder nada. O tempo estava bonito e nos despedimos de Londres com sol, depois de tanta chuva.

Perdemos nossa habilidade pra lidar com as malas, há tanto tempo não fazíamos uma viagem de trem, mas deu para colocá-las dentro, sem lesar nenhum músculo, e nos sentamos confortavelmente para a viagem de aproximadamente 2 horas. Tinha até me esquecido de como é gostoso viajar de trem. Até me deu vontade de incluir este meio de transporte na nossa próxima programação. É verdade que tem o problema das malas, que nos incomoda, mas, de uma forma ou de outra, sempre se dá um jeito.

Chegando ao porto, logo avistamos nosso navio, o Grand Princess, e ficamos bem impressionados por sua beleza e elegância. O embarque, embora um pouco demorado, pois havia muitos passageiros à espera, foi tranqüilo. Tudo muito bem organizado. Sentimos então a eficiência da companhia, que perdurou durante todo o cruzeiro. Aliás, logo após confirmarmos o cruzeiro, recebemos dois álbuns ilustrados: um “Answer Book”, contendo a informação essencial para uma completa “escapada” e outro com explicações detalhadas sobre os portos, sugestões de passeios e sobre as excursões organizadas pelo navio, que podem ser reservadas com antecedência. Tudo facilitado!

Já almoçamos a bordo, tomamos posse de nossa cabine, arrumamos nossos pertences e nos preparamos para o jantar. Mas antes sentamos no deque, que logo se encheu de gente, pra ver o navio partir e tomar nosso primeiro aperitivo. Lá embaixo, no porto, uma banda tocando jazz. Quando o navio deixou o cais, pararam de tocar e acenaram adeus para os passageiros. Que simpático!

Esta seqüência – assistir à partida do navio e tomar um drinque antes do jantar - se estabeleceu como rotina. Ao drinque nunca falhamos. Mesmo quando o navio não aportava, lá estávamos nós, ao fim da tarde, dizendo “presente”.

Na primeira noite, e no dia seguinte, inteiro a bordo, enjoei um pouco, eu que sempre me gabei de não enjoar. Pudera! Navegávamos pelo Canal da Mancha, conhecido por ter águas muito agitadas. Mas nada que um Dramin não pudesse resolver.

Há duas opções para jantar no navio: o jantar tradicional num dos restaurantes e o jantar informal num dos bufês. No jantar tradicional os lugares são destinados de antemão e senta-se sempre à mesma mesa. Nessa primeira noite, foi a nossa escolha. Me preparei com uma certa expectativa, sem saber bem como seria. Qual o grau de formalidade? O que vestir? Não era uma noite de gala, mas a primeira a bordo. Fiquei na média, entre o formal e o esporte, e me dei bem – assim ficou a maioria. Mas tinha gente de todo o jeito...

Dividimos a mesa com dois casais americanos e duas senhoras turcas, de Istambul. O garçom, Antônio, como não podia deixar de ser, é português, um homem elegante e bonito. Achei que tinha uma fisionomia familiar. Tentei me lembrar de onde o conhecia. Só no dia seguinte, com a ajuda da senhora americana, o identificamos. É parecido com Robert de Niro!!! Nos ajudou a escolher a comida e o vinho.

As duas turcas pareciam muito agitadas e, falando pouco inglês, tinham dificuldade de explicar por quê. A muito custo, conseguimos entender o que uma delas, a mais proficiente, dizia. Suas malas tinham sido extraviadas e não tinham nenhuma roupa para mudar. Fiquei pasma! Como podiam ter perdido a bagagem se as malas são colocadas numa esteira no porto que vai direto para o navio? E fiquei ainda mais surpresa quando nos contaram, quase chorando, que as jóias também tinham sumido... Só aos poucos, nos dias subseqüentes, quando as malas ainda não tinham sido encontradas, consegui deslindar a tragédia das turcas. O pacote que contrataram tinha início em Londres, de onde partiram de ônibus com destino ao porto, e incluía o embarque.

Demonstraram total inexperiência: não guardaram as jóias na bolsa ou, pelo menos, na bagagem de mão e não verificaram se as malas tinham sido, realmente, enviadas para o navio. Uma delas aceitou melhor a tragédia, mas a outra só fazia se lamentar. Antes de cada porto, sempre a expectativa: chegariam? E nada... Não entendi porque não desembarcavam, compravam alguma roupa, procuravam pelo menos aproveitar um pouco. Na última noite, finalmente, pareciam mais consoladas. Tinham recebido o comunicado de que as malas estavam esperando por elas em Southampton. Será que as jóias também?

Ao voltarmos para a cabine encontramos a cama feita, nossas roupas de dormir artisticamente dobradas sobre o lençol e dois chocolatinhos. Que simpático! Além disso, uma folha com as atividades do dia seguinte. O mesmo aconteceu durante as 12 noites que passamos a bordo.

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