Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Istambul

Foto: Istambul

O vôo
24/05/2006 - No vôo de Paris para Istambul sobrevoamos primeiro a Alemanha, Freiburg. Depois a Suíça: o Monte Branco, o lago Constança. Senti saudade desses lugares que tanto aprecio, ali em baixo, tão próximos. Ah se eu tivesse um pára-quedas com passagem de ida e volta! Ia dar um alô e voltava rapidinho, na minha ânsia de chegar a Istambul. Em seguida a Croácia e a Bulgária, países onde nunca estivemos. Vistos de cima, não são nada bonitos – pouco verde, muita terra e marrom. São países pobres. Até do alto se nota a diferença. Por fim, a Turquia: várias cidades ligadas por estradas, retângulos azuis, parecendo piscinas. Sobrevoamos o mar de Mármara – enorme, de um azul intenso, e avistamos muitos navios. Pouso macio e aplaudido no Aeroporto Ataturk.

Nosso hotel: Yasmak Sultan
Gostei do nome. Achei sugestivo. Esse hotel, embora simples, fica muito bem situado, próximo de várias atrações, de bom comércio e restaurantes. Nessa primeira tarde, só deu para espiar umas lojas, que achei bastante atraentes, e encontrar um lugar para tomar um café. O café turco não é coado, o pó fica depositado no fundo da xícara e é preciso habilidade para não misturá-lo. Gostei. Decidimos fazer uma pesquisa na rua dos restaurantes, escolher um para jantarmos mais tarde. Foi nossa primeira experiência com o assédio. Na medida em que andávamos, garçons, maitres, proprietários corriam para nós, cardápio em punho, ansiosamente apontando para peixes, frutos do mar, pequenas travessas com entradinhas apetitosas, tudo exposto em vitrines envidraçadas. Recitavam os preços, na moeda local, em dólares ou euros, em inglês, francês, espanhol, menos turco. Ficamos tontos! Custamos para escapar e voltar ao hotel. À noite, quando fomos jantar, os restaurantes estavam bem cheios e o assédio foi mais brando, permitindo que fizéssemos nossa escolha, acertada por sinal.

Em Istambul, “cidade exótica, mística, misteriosa”,
o city-tour é indispensável, a menos que você contrate um guia local para acompanhá-lo, o que me pareceu ser uma excelente opção. Mas só soube desta possibilidade quando estávamos lá e imagino que deva ser bem dispendioso. Não fez falta. Nosso grupo era pequeno, seis pessoas, e a guia, uma moça turca moderna e preparada, nos deu informações muito interessantes sobre a geografia e a história de Istambul, o modo de vida do povo, as mudanças que aconteceram nas últimas décadas, a religião, e conduziu-nos pelos marcos da cidade com bastante eficiência.

Istambul
Meu desejo de conhecer Istambul despertou quando,
fazendo um curso de História da Arte em 1998, vi alguns slides da Mesquita de Santa Sofia e fiquei maravilhada com os mosaicos bizantinos que lá se encontram. Foi preciso esperar bastante tempo para realizá-lo, mas valeu a pena. Istambul é uma cidade singular, diferente de todas que até então havia visitado. Lá permanecemos 4 dias e meio, tempo mínimo para se ter uma visão geral do lugar.
A cidade é um misto de Oriente e Ocidente, pelo que senti mais Oriente do que Ocidente. Existem fundamentos para esta minha impressão? Provavelmente. A localização geográfica, pois é atravessada pelo Bósforo, o estreito que separa a Europa da Ásia, estando a maior parte da cidade no lado asiático, e a situação religiosa, pois a maioria de seus habitantes é muçulmana, são fatores determinantes.
As tendências artísticas representam mais um fator de influência asiática: o artesanato, em que se destacam a tapeçaria e a cerâmica, é de origem otomana; a música
e as danças, por sinal muito atraentes, se originaram nos acampamentos nômades e nos haréns.
No entanto, a influência ocidental torna-se cada vez mais
forte: o povo comunica-se por meio de celulares e pela internet; o serviço de transporte é atual e nos pareceu bastante eficiente, embora o trânsito seja caótico. Edifícios modernos e hotéis luxuosos estão sendo construídos numa área da cidade que está mudando de feição, embora convivam com mesquitas e minaretes, convivência essa muito significativa.A mesma dualidade existe no comércio:
o Grande Bazar é a atração máxima, irresistível e imperdível, mas visitamos também um shopping center com lojas tipicamente européias, e a tradição oriental da pechincha,
à vezes divertida, outras irritante, está sempre presente:
fazer compras requer muita habilidade e muita paciência para se conseguir um preço justo. Os artigos não têm o preço exposto, que pode variar em até dezenas de liras dependendo da nacionalidade, da habilidade, da disponibilidade e da paciência do freguês. Como não sou hábil, nem paciente e não queria perder muito tempo com as compras, não cheguei a fazer bons negócios, mas deu para adquirir algumas lembranças e presentes para a família. A meu favor não ser americana, nem cidadã européia, não sei como os comerciantes imediatamente identificam sua origem latina. Os preços parecem ser mais camaradas para turistas de terceiro mundo. Também os motoristas de táxi tentam ludibriar o freguês e hai que ter muito cuidado. A língua é uma barreira apesar de muitos comerciantes
já se comunicarem em inglês com os turistas, mas dificulta o contato com os locais, tão importante quando se viaja. Assim mesmo consegui bater uns papos e até mesmo obter um vocabulário de turco para contatos de primeiro grau. A grafia é complicada, com muitos Ks e cedilhas, o que dificulta o uso de mapas. Nos perdemos um dia no centro da cidade e não conseguimos decifrar o nome das ruas para voltar ao hotel. Foi preciso tomar um táxi, nossa primeira experiência, não muito positiva.
Por outro lado, fomos agraciados com dias luminosos, tão azuis quanto o mar do Bósforo, desfilando sempre em frente a nós, e temperaturas ideais: calor durante o dia, quase frioà noite. Sol o tempo inteiro, nem sombra de chuva, nos convidando a permanecer, dificultando nossa despedida. A lamentar só o fato de Istambul se situar tão longe do Brasil. Não fosse isso, voltaria logo, logo, levando dinheiro para comprar um tapete, lastimei não tê-lo feito desta vez, muitas cerâmicas, trouxe só uma, com medo de quebrar, chegou aqui inteirinha e linda, agora enfeitando minha sala, e com mais paciência para as outras comprinhas no Grande Bazar, pois foram muito apreciadas. Também com bastante disposição para comer e trazer frutas secas, aquelas tâmaras polpudas, suculentas, aquele mix de nozes, amêndoas, avelãs, castanhas, até mesmo grão de bico, seco ou defumado, e os pistaches já sem a casquinha antipática. Que delícia!

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