Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Cidades

Foto: arquivo

Barcelona

Uma “viagem” musical
(ouvindo as orquestras mais célebres nas salas de
concerto mais nobres do mundo)

Barcelona é uma das cidades de maior apelo artístico da Europa e o primeiro concerto aconteceu lá, no Gran Teatro de Liceo. Lastimei imensamente perdê-lo, pois além de ser apaixonada por esta cidade, o regente foi Jordi Savall, catalão que se especializou em músicas medievais e do Renascimento espanhol. Fundou o grupo Concerts de Nations para a execução de músicas barrocas e do período clássico com instrumentos originais de época. Nas poucas ocasiões que tive de ouvir este conjunto fiquei fascinada e vou me empenhar para não perder o próximo.Barcelona é uma das cidades de maior apelo artístico da Europa e o primeiro concerto aconteceu lá, no Gran Teatro de Liceo. Lastimei imensamente perdê-lo, pois além de ser apaixonada por esta cidade, o regente foi Jordi Savall, catalão que se especializou em músicas medievais e do Renascimento espanhol. Fundou o grupo Concerts de Nations para a execução de músicas barrocas e do período clássico com instrumentos originais de época. Nas poucas ocasiões que tive de ouvir este conjunto fiquei fascinada e vou me empenhar para não perder o próximo.

Ainda houve outros concertos nesta primeira temporada, na Suíça, na Hungria e em Viena, igualmente atraentes, mas foi o de Barcelona o que mais senti perder.

No entanto, na segunda série, fui recompensada, pois o primeiro concerto foi em Istambul.

Passagem rápida pelo Bósforo. Revi algumas das mais belas mesquitas e os minaretes que caracterizam esta exótica cidade. A Haghia Eirene, igreja que data do século VI e cuja acústica é ótima, serviu de palco para a apresentação da Filarmônica de Berlim. Os assentos, todos ocupados. Pude entrever ao fundo a cruz simples de mosaico negro sobre um fundo dourado, detalhe que não sobreviveu em nenhuma outra igreja bizantina. O regente, Mariss Jansons, um dos maiores da atualidade, foi calorosamente aplaudido. Ao ouvir a sinfonia “A Surpresa”, de autoria do austríaco Haydn, interpretada por músicos alemães, lado a lado com outros de diversas nacionalidades, regida por um eslavo, na atmosfera oriental de Santa Irene, a emoção me invadiu e me senti novamente no limiar entre Ocidente e Oriente.

Prosseguindo nossa “viagem” musical aportamos em Roma e no auditório da Accademia Nazionale di Santa Cecilia ouvimos novamente a Filarmônica de Berlim, desta vez regida por Claudio Abbado, iniciando o ciclo das Sinfonias de Beethoven.

De Roma fomos conduzidos a Berlim e lá pudemos apreciar a Sinfonia número 2. Mesma orquestra, outro grande regente – Herbert von Karajan.

A sinfonia de número 3 – Eroica – tem uma história diferente: a intenção do compositor era prestar uma homenagem a Napoleão, na época o símbolo revolucionário dos ideais da Revolução Francesa. Contudo, Beethoven se desiludiu quando percebeu a desmedida ambição do líder corso e transformou um dos movimentos da sinfonia numa marcha fúnebre, quebrando assim uma série de normas e introduzindo na música clássica uma forte emoção.

Difícil descrever o que senti ao ouvir a Eroica na Ópera Real do Castelo de Versalhes, com toda a sua carga histórica e os fantasmas dos reis e rainhas que levaram a França à revolução. Na minha primeira visita a Versalhes, percorrendo os cômodos luxuosíssimos e constatando a opulência em que viviam os nobres franceses enquanto o povo se encontrava na mais profunda miséria, senti-me mal e não quis continuar.

Da França, um pulo para a Holanda, logo ali, tão perto. A Sinfonia n.4 foi apresentada em Amsterdam pela Orquestra Real do Concert-gebouw. Fundada em 1888, é a mais importante do país e sua sala uma das melhores do mundo. Como foi bom me encontrar nesta cidade tão interessante, cortada pelos canais que refletem suas construções típicas, e lá ouvir Beethoven!

A seguir, Inglaterra, país com o qual tenho uma ligação intensa.

A sinfonia n.5 foi executada no Fairfield Hall, in Croydon, pela Filarmônica de Londres. O regente, Leopold Stokowski, “levantou” a platéia. Velhinho, mas sempre vigoroso. Com suas mãos enormes dispensa a batuta e os cabelos brancos se movem ao ritmo da música. Que privilégio tê-lo em frente a mim naquela noite! Hoje não está mais conosco...
Revi Siena, percorri a Piazza del Campo, aplaudi a regência de Zubin Meta, que veio de tão longe fazer música para nós! A sinfonia?
Foi a de nº. 8.

Até conheci uma cidade onde nunca tinha estado e que sempre quis visitar: Toronto, no Canadá.

Outros países, outras salas, outros regentes, outros músicos, outros compositores. Haydn, Mozart, Schubert, Mendelssohn.

Minha extraordinária viagem musical ainda não chegou ao fim.

Junto com meu marido e companheiros de jornada, voltamos ao passado e presenciamos a queda do muro de Berlim. Fui arrebatada pela emoção ao ouvir nesse momento histórico a nona sinfonia de Beethoven. O regente, Leonard Bernstein, também comovido. No final, o coro, formado por homens, mulheres e crianças muito compenetradas, entoou as palavras de Schiller da Ode à Alegria, usando, no entanto, a palavra freheit (liberdade) para substituir freude (alegria), mais adequada ao momento.

Vocês, meus leitores, já devem ter suspeitado que a minha “incrível” viagem musical é virtual e acontece num salão confortável, bem refrigerado, através de moderno equipamento e “incríveis” DVDs, conduzida por dois excelentes professores. Não arrumei bagagem, não enfrentei aviões, automóveis, trens ou ônibus, não gastei euros ou dólares, mas me deliciei com a música dos grandes gênios e com a performance das grandes orquestras e seus regentes.

Paris

Curiosidade:
Maurizio Remmert, pai biológico de Carla Bruni, primeira dama da França, é um empresário
ítalo-brasileiro. Nasceu na Itália, mas é radicado no Brasil. Vive em São Paulo há 32 anos.
É um gourmet viajado e chef amador, dono de uma cozinha super bem equipada.
Numa entrevista lhe pediram que indicasse um restaurante bom e barato em Paris.

Aí está sua recomendação:
Le Baratin (3, Rue Jouye Rouve, 75020 – metro Pyrenees. Tel: 33-1-4349-3970

Acrescentou:
É um buraco, um lugar muito simples, no bairro dos argelinos. O menu do dia está escrito numa lousa, não tem toalha na mesa, mas a comida é excelente. Entrada – 6 euros
Pratos principais – de 15 a 20 euros

De acordo com ele, vale a pena.
Acredito e vou experimentar na próxima vez que for a Paris.

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