Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Istambul - Cerâmica

Foto: Cerâmica

Cerâmica

A cerâmica é uma das manifestações artísticas
que mais me atraem, quer pela diversidade das formas quer pelo colorido resultante da combinação ou fusão das tintas com o barro.
É uma arte milenar que atravessou séculos e séculos da história da civilização e, na Turquia,
teve seu apogeu nos séculos XVI e XVII na cidade de Iznik. No início da produção, ainda no século XV, os modelos eram inspirados em cerâmicas chinesas e tinham tons azuis e brancos. Depois foram ganhando cores mais vivas como o vermelho-turco, azul-turquesa, verde-cinza e amarelo-ouro. Além das peças utilitárias e decorativas produziam-se azulejos de parede, outrora muito utilizados para decorar algumas das mais belas mesquitas de Istambul.

Em minhas rápidas incursões às lojas fui logo atraída pelos objetos de cerâmica e na última manhã na cidade decidi não ir embora sem levar um para minha casa. Tivemos a sorte de entrar numa loja, mais do que loja um ateliê, com uma riquíssima exposição, deixando-me em palpos de aranha para fazer uma escolha. Dispostos nas prateleiras e distribuídos pelos salões, vasos, jarrões, pratos, tigelas e outras peças com designs mais singulares, todas de muito bom gosto e esplêndido colorido. Várias tinham tudo a ver com a minha casa e minha indecisão só ia aumentando. Por sorte, a vendedora, uma moça turca muito graciosa e esperta, foi selecionando as que mais me interessavam, me dando explicações e me ajudando a chegar a um consenso. Escolhi, finalmente, uma peça feita à mão, denominada “Love”. É uma garrafa com duas bocas cujo design data de 3000 A.C., confeccionada na Capadócia. Simboliza o amor entre um casal, que deve beber ao mesmo tempo da garrafa, cada um de uma boca. Deveras romântico, não é mesmo?

Após a compra, a mocinha nos ofereceu um café e fez questão de ler a minha sorte na borra acumulada no fundo da xícara, como é tradição na Turquia. Me acenou com muitas futuras viagens e garantiu minha volta a Istambul. Assim seja!

Nota:
No Museu Sadberk Hanim, instalado em duas mansões típicas nas margens do estreito do Bósforo,  percorremos duas salas com azulejos, de vários períodos e muito bem organizados, a maior parte de Iznic:

Do Séc. XV – primitivos, mas bem feitos

Do Séc. XVI – aperfeiçoados, muito bonitos

Inscrição numa das salas: Os azulejos de Iznic foram usados para decorar “some of the most sublime work of imperial Otoman Architecture”. 

Noutro espaço, alguns de uma outra cerâmica também importante nos séculos XVIII e XIX: Küthaya

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