Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Fernando de Noronha

Dois Irmãos - o símbolo máximo de Noronha

Foto: Dois Irmãos - o símbolo máximo de Noronha

Fernando de Noronha - de 16 a 20 de março de 2004

Vivi, durante 4 dias, num outro mundo, onde se cultua e respeita a natureza, natureza esta de uma beleza incrível.

Mar cuja tonalidade varia do verde esmeralda ao azul marinho, rico em peixes das mais variadas espécies, cores e tamanhos, moluscos, polvos, tartarugas e golfinhos. E, até mesmo, os tão temidos tubarões, mas que aí, de acordo com os conhecedores, não ameaçam os banhistas ou amantes do mergulho. Paisagens fortes, impactantes.

As ilhas do Arquipélago de Fernando de Noronha foram formadas há milhões de anos por vulcões submarinos e correspondem ao topo de uma cadeia de montanhas submersas. Devido a isso, o relevo da ilha principal é irregular, com partes mais baixas, outras bem mais elevadas. Lá do alto, avista-se o mar embaixo estourando nos rochedos e levantando uma nuvem de espuma branca, entremeada pelo multicolorido da água. É um espetáculo indescritível! As outras ilhotas, de formas diferentes e nomes sugestivos, contribuem para a diversidade da paisagem.

Em torno dos rochedos os atobás, já por si decorativos, fazem vôos mirabolantes e vão dar mergulhos no mar à cata de peixinhos para matar a fome. Seus ninhos ficam nas árvores lá em cima, onde as mamães atobás, muito zelosamente, cuidam dos filhotes. Há também as viuvinhas, vestidas de preto, e as brancas noivinhas, competindo no vôo com os atobás e disputando espaço para os ninhos.

Num dos cantos da ilha está o Morro do Pico, ponto culminante, um dedo imenso apontando para o céu, obra de Deus. É um marco que se avista de longe e identifica Fernando de Noronha.

Num outro canto, um moinho arrojado, para o aproveitamento da energia eólica, obra da tecnologia do Homem.

As praias se sucedem de um lado e outro da ilha; o lado virado para a África é chamado de Mar de Fora e o que dá para a costa brasileira, Mar de Dentro. Durante o verão, o Mar de Dentro é mais batido, com ondas fortes, tornando as praias menos agradáveis para banho. Já no inverno, a situação se inverte e as praias do Mar de Fora ficam com as águas mais agitadas. O acesso às praias nem sempre é fácil: são trilhas mais ou menos íngremes e numa delas, justo a melhor, a Praia do Sancho, tem que se descer por uma escada encravada na rocha. Só para os mais jovens e corajosos. Tive a sensação de que a própria natureza defende suas posses, preservando-as de uma invasão descontrolada.

Ar puro, brisa permanente. De dia o sol é muito quente e faz bastante calor. Chapéu e filtro solar são artigos de primeira necessidade. Porém à noite a temperatura é amena, super agradável. Acordar cedo é essencial pois a manhã é a melhor hora para caminhar pelas trilhas e, mesmo, ir às praias, enquanto a maré ainda não está muito alta.

O pôr-do-sol é reverenciado na ilha. No Forte de São Pedro, ao som do Bolero de Ravel. Feliz escolha de uma pessoa com muita sensibilidade. À medida em que a música vai crescendo, o sol vai baixando lentamente. Deitadas na grama, sentadas nas muralhas do forte, as pessoas não desviam os olhos do céu. O espetáculo é soberbo!

Programas tipicamente noronhenses, divertidos todos, na minha opinião, imperdíveis:

Passeio de barco
Operação golfinho
Palestras sobre ecologia e fauna marinha
Vila dos Remédios
Passeio de bugre
Museu do Tubarão

Embora tivesse grande expectativa em relação a Fernando de Noronha, nada me decepcionou. Me encantei com as paisagens, me banhei em suas águas cristalinas, às vezes um pouco agitadas, enchi meus pulmões com o ar puro, aprendi muita coisa sobre o mar e sua fauna. Gostei do povo, simples, cordial, contador de estórias e empenhado em preservar as riquezas da ilha. Fiquei muito bem impressionada com os programas de educação ambiental, conduzidos por técnicos bem preparados, e com o nível de informatização já alcançado.

Contudo, para mim, a experiência mais emocionante foi o mergulho. Primeiro, o mergulho livre nas piscinas naturais da Praia do Atalaia. Com máscara e snorkel, mergulhando no rasinho, vêem-se cardumes de peixinhos coloridos, peixes maiores e até polvos. Já fiquei maravilhada!

Meu mergulho
Foto: meu mergulho

Mas foi no dia seguinte que se deu o grande acontecimento – o meu batismo, numa profundidade maior. Até o momento do mergulho ainda estava em dúvida se ia conseguir descer no mar. Minha vontade era muito grande mas tinha receio de que, devido à idade, pudesse ter problemas. Me informei bem antes e me asseguraram que a idade não é empecilho, desde que as condições físicas sejam boas. Mas mesmo assim, ainda hesitava. Fui no barco observando os outros candidatos, todos mais jovens do que eu, e o pessoal da empresa de mergulho, oito rapazes e uma moça, alegres, animados. Demonstrando profissionalismo desde o início, me inspiraram confiança. Um deles deu todas as explicações sobre o uso do equipamento e os procedimentos durante o mergulho. Esperei a primeira turma descer, um mergulhador para cada candidato. Observei como eram cuidadosos. Senti segurança e tomei a decisão. Mergulhei e valeu a pena. Embora um pouco ansiosa, fiquei emocionada com o que vi e acho difícil descrever. O fundo do mar foi um mundo novo. Os peixinhos coloridos, que sempre me atraíram, agora em grandes cardumes de muitas espécies desconhecidas para mim, os peixes maiores cortando de lá para cá, as formações de corais, tudo ali ao alcance da minha mão. O mergulhador, de mão dada comigo, apontava para um lado e outro, mostrando as belezas. Consegui ficar 25 minutos lá embaixo. Senti frio na volta e custei um pouco para me recuperar da emoção. Mas ficou em mim a vontade de mergulhar novamente, com mais tranqüilidade agora que a barreira tinha sido vencida e mais preparada para apreciar a rica vida do fundo do mar. Só lastimo não ter começado muito antes...

Passei quatro dias abençoados na ilha. Estive sempre muito bem disposta, não levei nenhum susto, não dei um espirro, não senti nenhuma dor, só aquele cansaço gostoso no fim da tarde, depois uma noite bem dormida. Não me queimei demais, guardei um bronzeado saudável.

Curti cada momento, aproveitei à beça, voltei renovada, tenho esperança de retornar...

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