Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Em busca do verde e das árvores floridas

Buganvílias

Buganvílias

Em busca do verde

Quando o verão se aproxima, meu corpo anseia por sol e mar. Quero mesmo é praia, seja no Rio, seja fora, de preferência com mar limpo e ondas não muito fortes, pra que eu possa mergulha, molhar bem a cabeça e, até, nadar um pouco. Piscina, também gosto, mas dou preferência a uma boa praia e companhia, se houver: água de coco, salgadinho, cerveja gelada, picolé. Se não houver, só o mar já me satisfaz.

Mas quando a estação vai chegando ao fim, o que cada vez tarda mais, pois nós cariocas vivemos em tempos de verões prolongados, a cor azul vai perdendo o prestígio e vou em busca do verde.

Subir a serra é garantia de encontrá-lo e em nossa primeira investida tivemos a felicidade de chegar a um lugar com muito verde e muitas árvores floridas. Sendo quase Páscoa, Quaresma portanto, as quaresmeiras se encontravam em plena floração e o roxo predominava, aqui e acolá substituído pelo rosa. Jamais encontrei explicação para o fato de estas árvores se cobrirem com um manto roxo na época em que a Igreja celebra a Paixão de Cristo. Mas deve haver... Me encantaram, também, as espatódeas, mais berrantes, não tão religiosas, de floração quase vermelha. E o verde se espalhava por todo lado: no plano, subindo as encostas, nas montanhas lá no alto. Identifiquei pinheiros, eucaliptos perfumados e tantas outras espécies. Queria conhecer todas pelo nome, nunca consegui, a natureza é exuberante e farta ainda mais se preservada. E nesta pousada em Amparo, localidade a 14 km de Friburgo, que vem sofrendo a invasão de favelas, cada vez mais próximas do centro, tivemos a grata surpresa de encontrar a mata resguardada.
Esta paisagem é para contemplar, absorver e armazenar para usar depois aos poucos, em momentos de estresse.

 ao fundo, espatódea
Ao fundo, espatódea

Na cidade do Rio de Janeiro, embora muita gente não tenha conhecimento e, talvez, nem acredite, o verde está muito presente e as árvores se revezam em suas florações. Minha favorita é o flamboyant, cuja floração se inicia em outubro e se estende até janeiro, de acordo com as informações botânicas, mas na verdade se prolonga muito mais, para minha alegria. Adoro vê-los na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde se derramam pelas margens e, também, em Cabo Frio, onde proliferam. Mas já os vi por aí em tantos outros locais que é impossível determinar.

E os abricós-de-macaco? Têm um fruto enorme preso ao tronco e as flores são grandes e carnosas, com perfume forte. A espécie foi trazida das Guianas pelo paisagista Roberto Burle Marx e, como são muito ornamentais, se espalharam pela cidade. Mas cuidado, os frutos são pesados e o cheiro enjoativo. Florescem de setembro a março.

Abril, maio até agosto tem flor nas patas-de-vaca. Na sexta-feira passei por uma rua do Jardim Botânico e o chão estava cheio dessas flores, caídas de galhos recém-podados. Tive vontade de parar e recolhê-las, mas pra variar estava com pressa...

Agosto, setembro é época do ipê-amarelo, que floresce com a planta totalmente despida da folhagem. É flor só, com coloração intensa, amarelo-ouro. Uma jóia!

Até na Linha Amarela, onde há uns dias passei rezando, tive o grato prazer de me deparar com árvores floridas.

E por aí vai. Dava pra encher a folha com a descrição das árvores “cariocas”.
E por falar em folha, também elas são decorativas. No outono da gente, onde as mudanças são bem menos sutis que nos países europeus ou na América do Norte, as amendoeiras se insubordinam, se exibem, avermelham as folhas e, no fim da estação, sujam as calçadas. Adoro esta pequena mostra de outono em nossa cidade tropical!

à esquerda, quaresmeira em final de floração.
À esquerda, quaresmeira em final de floração.

Faz dois anos que escrevi esta crônica. Há duas semanas, aproveitando o feriado de 21 de abril, voltamos à mesma pousada. Tudo continuava exatamente como nos lembrávamos, com exceção das quaresmeiras, que não tinham mais tantas flores. Em compensação, nas trilhas em volta presenciamos um verdadeiro festival de borboletas. Grandes, pequenas, multicoloridas. Pena que não estávamos com a câmera para registrar...

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