Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017

Búzios

Myrthes e Cardoso na pousada em Búzios

Myrthes e Cardoso na pousada em Búzios

Búzios

Minha relação com Búzios data de muitos anos, do tempo em que se comia peixe num pequeno e rústico restaurante na Armação do qual pouco me lembro. Mas nunca foi muito íntima. Sempre fui muito mais ligada a Cabo Frio.

No entanto, no início dos anos 90, a caminho da Bahia, lá passamos alguns dias e nos divertimos à beça. Descobrimos as praias Azeda e Azedinha, esta última nos encantou, e freqüentamos diariamente a de João Fernandes, a mais próxima da pousada onde nos hospedamos.

Descobrimos, também, a noite em Búzios e achamos um barato! Íamos de bar em bar ouvindo música e parávamos no que mais nos atraía. Passeávamos pela Rua das Pedras, bisbilhotando as lojinhas, muitas expondo peças do artesanato local. Tudo era charmoso, mas não muito sofisticado. Cardoso disse que Búzios era psicodélica!
Não há dúvida de que a infra-estrutura era muito deficiente: faltava água, o sistema de esgotos não funcionava bem, o calçamento era precário, mas tudo era compensado pela graça do lugar.

Nos anos subseqüentes, quando íamos passar dias em Cabo Frio, fazia questão de dar uma esticada até Búzios. Em cada ida ficava surpresa, e até certo ponto, deslumbrada, com as mudanças ocorridas: uma galeria luxuosa, uma sorveteria gostosa, melhorias no píer, a Orla Bardot com a Brigitte sentada na mala, atração pra turistas, que ainda fazem questão de tirar foto ao seu lado. Até eu... Mais adiante, ainda na Armação, a escultura de três pescadores puxando a rede, a que mais aprecio. Lojas novas, amplas e super bem instaladas, na maior parte filiais das do Rio. Restaurantes atraentes, boates animadas para os jovens.

De uma vez, comemorando meu aniversário, passamos um fim de semana. Adorei!!! Nos hospedamos numa pousada na Praia do Canto, bem próxima da Rua das Pedras. Localização excelente. À noite, nem precisamos do carro para ir badalar. E no dia seguinte, nem precisamos do carro para ir à Azedinha, pois havia uma novidade: taxis para transportar os turistas. Só que esses taxis são barcos e o trajeto é feito por mar. Que refrescante!

Neste final de verão recebemos um convite irresistível de amigos que morando fora do Rio não conheciam Búzios. E novamente lá fui eu comemorar o meu aniversário. Só que desta vez, ao invés de um fim de semana, uma estadia de cinco dias, durante os quais a nós cabia mostrar-lhes os encantos da cidade.

Chegamos à noite e adivinhem por onde começamos?
Rua das Pedras.
E onde fizemos a primeira refeição?
Num lugar que estreou em Búzios e depois se reproduziu. No entanto, aquele que mantém o charme e a agitação é mesmo o original – Chez Michou. Estava cheio, animado, a variedade dos crepes oferecidos não se alterou. Difícil escolher... Após a refeição, badalação.

Na manhã seguinte, iniciamos o tour das praias. Queríamos apresentar todas aos nossos amigos. Primeiro, a mais próxima da pousada, que nem eu mesma conhecia: Tartaruga. Não é das melhores. Além disso, a praia está cheia de quiosques e fomos praticamente obrigados a escolher um para ficar. Não demos sorte, não tinha nem água de coco nem pastel de camarão, para mim e para o Cardoso itens indispensáveis. Nessa ordem.

Dando prosseguimento ao tour, tivemos uma surpresa agradável: os aero barcos ainda existem e lá fomos nós, deliciosamente respingados de água, navegando para Azeda. De lá, curta caminhada para Azedinha, tão deliciosa como eu me recordava. Sem quiosques, sem assédio. Apenas cadeiras na sombra de uma árvore e uma senhora preparando sucos e batidas de frutas. Bem mais light!
Tomei um banho de mar delicioso e nadei bastante nesta magnífica piscina de água salgada.

Myrthes em Búzios
Praia da Ferradurinha

Ferradura veio a seguir. Fomos, logo na entrada da praia, recebidos por um belga, que muito gentilmente nos ofereceu estacionamento grátis. Desde que escolhêssemos o seu restaurante. Como ele foi gentil e nada agressivo, aí nos instalamos, mas não antes de caminhar até o final, percorrendo a ferradura que dá nome à praia. De acordo com a minha amiga, a paisagem é variada, vai mudando a cada trecho e o banho de mar é bem gostoso. Quanto ao belga, acabou nos surpreendendo. Está em Búzios há 6 anos e, entre outros atributos, prepara bem temperados pastéis de camarão.

Não havia mais tempo a perder e no último dia tivemos que visitar três praias. Minha amiga, de Guia Quatro Rodas na mão, observando atentamente a classificação, decidiu: em primeiro lugar, José Gonçalves, 4 estrelas. A seguir, Geribá e Ferradurinha, 3 estrelas. Eu nunca tinha ouvido falar nesta primeira e fiquei logo curiosa. Fica no caminho para Cabo Frio e é uma praia selvagem, quase deserta. Não tem quiosques nem belgas e a paisagem é cativante, mas o mar é bem batido e tivemos um pouco de receio de entrar. Mas valeu a pena conhecer!

Praia José Gonçalves
Praia José Gonçalves

Passamos por Geribá e terminamos o tour na Ferradurinha, páreo duro com Azedinha em beleza natural, embora a paisagem seja bem diferente. Pedras de um lado e do outro, formando a pequena ferradura e amortecendo as ondas. Pena que está muito construída...

Mais dias e teríamos outras praias para visitar, mas acho que apresentamos as melhores aos nossos amigos. É verdade que faltou João Fernandes, também classificada com 3 estrelas, mas como eles ainda iam ficar 2 dias, tiveram a chance de ir lá.

Conhecer e aproveitar as praias foi a nossa prioridade nesta visita, mas isto não quer dizer que não tenhamos curtido a “vila” também. Experimentamos novos restaurantes, repetimos alguns que já conhecíamos e de que nos lembrávamos, entramos em todas as galerias, marca registrada de Búzios, e nossos amigos se maravilharam com aquelas que vão da Rua das Pedras à Praia do Canto, de onde o visual é incrível. No fim da tarde, assistimos ao pôr do sol no Píer e tive vontade de bater palmas tal a magnitude do espetáculo. Palmilhamos a Orla Bardot de um lado para o outro, na volta investigando os restaurantes sofisticados e bastante caros ali localizados.

Búzios

Descobri o Café onde comi tortas e bolos deliciosos quando lá estivemos nas primeiras vezes e que mudou de endereço. Numa tarde não resisti à tentação e mandei brasa. Depois me senti culpada, mas já era tarde. Ainda bem... Em compensação, resisti à tentação das lojas e fiz só umas comprinhas.

De acordo com um folheto que nos foi dado, a “melhor maneira de conhecer Búzios é fazer um lindo passeio de trolley por doze praias” e a “forma mais vip” é fazer um passeio de catamarã. Me deu mesmo vontade de pegar o trolley, faltou tempo. Quanto ao de catamarã, imagino que deva ser muito chique, mas já tínhamos, mais de uma vez, feito o de escuna, que aliás recomendo a quem for novato em Búzios.

Constatei nesta curta temporada que Búzios mudou mais do que os antigos freqüentadores gostariam, se descaracterizou, as lojas poderiam estar em qualquer shopping do Rio, muitos restaurantes também. Ainda assim é um lugar super atraente e que vale muito a pena ser visitado.

Neste verão não posso reclamar em relação à temporada de praia. Fui contemplada com seis dias em Porto de Galinhas, que seguidos por várias idas à Ipanema, no final do verão com mar de Caribe, encerramos em Búzios. Quando digo mar do Caribe, não estou usando palavras minhas. Foi voz geral. Ouvi várias pessoas as repetindo, saiu até matéria no jornal sobre a cor e a temperatura da água em Ipanema durante o mês de março.
E que glória encerrar em Búzios! Sou ou não sou felizarda? Só faltou mesmo Cabo Frio.
Estou cheia de saudades de lá... Cabo Frio

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